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Acordo Mercosul-EFTA amplia oportunidades para Minas

Acordo Mercosul-EFTA amplia oportunidades para Minas

O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o Espaço Econômico Europeu (EFTA), firmado em 2023, entrou em vigor na segunda metade de 2024, estendendo o acesso preferencial a quatro países europeus – Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein – aos produtos brasileiros. Para os industriais de Minas Gerais, essa mudança representa a abertura de novos canais de exportação, especialmente nos setores de metalmecânica, siderurgia e automação. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) tem acompanhado de perto os efeitos desse acordo, avaliando oportunidades e desafios para o polo industrial mineiro.

O acordo prevê a eliminação gradual de tarifas aduaneiras sobre mais de 4.000 produtos, incluindo aço, máquinas, equipamentos de mineração e componentes eletrônicos. A taxa de isenção pode chegar a 100% em até cinco anos, dependendo do produto. Para os exportadores mineiros, isso significa redução de custos de competitividade e maior atratividade para compradores suíços e noruegueses, que buscam tecnologia de precisão e soluções de automação para indústrias de alta complexidade.

A FIEMG realizou uma análise setorial baseada em dados de exportação de 2023 e 2024, além de projeções de demanda europeia. A pesquisa identificou que os setores de siderurgia, produção de equipamentos de automação e mineração de minério de ferro são os que mais se beneficiariam, graças à compatibilidade de normas técnicas e ao alinhamento de padrões de qualidade. A federação também avaliou o risco de concorrência de fabricantes europeus e a necessidade de inovação contínua.

Em 2025, Minas Gerais registrou um total de R$ 4,2 bilhões em exportações para os países EFTA, representando 12% do volume total de exportações do estado. Dentre esses, 55% correspondiam a produtos siderúrgicos, 25% a equipamentos de automação e 20% a minérios e subprodutos. A participação de empresas de médio porte aumentou em 15%, evidenciando a capacidade de adaptação de produtores menores ao novo regime tarifário.

Economicamente, a redução de tarifas pode elevar o volume exportado em até 20% nos próximos três anos, conforme estimativas da FIEMG. Isso se traduz em cerca de R$ 840 milhões adicionais de receita, gerando a criação de 2.500 empregos diretos e indiretos nas cadeias de valor de metalmecânica e automação. Além disso, a presença no mercado suíço fortalece a reputação de qualidade dos produtos mineiros, abrindo portas para parcerias de pesquisa e desenvolvimento.

Apesar das perspectivas positivas, desafios persistem. A necessidade de cumprir rigorosos requisitos de certificação, a flutuação cambial e a concorrência de fornecedores europeus de baixo custo exigirão estratégias de diferenciação e investimento em inovação. A FIEMG recomenda que os industriais mineiros intensifiquem a participação em feiras internacionais, busquem certificações ISO e desenvolvam programas de treinamento em automação avançada para manter a competitividade. O próximo passo será monitorar o impacto real das tarifas em 2026 e ajustar as metas de exportação conforme o cenário global.

Fonte original

FFIEMG