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Agentes de IA ganham espaço e desafiam a gestão nas empresas

Agentes de IA ganham espaço e desafiam a gestão nas empresas

O crescente uso de agentes de inteligência artificial (IA) tem se consolidado como um dos principais vetores de transformação digital nas indústrias brasileiras, especialmente nos segmentos de metalmecânica, siderurgia, automação e energia. Segundo a reportagem da Exame, empresas de grande porte já implantam assistentes cognitivos capazes de otimizar processos de manutenção preditiva, planejamento de produção e gestão de cadeias de suprimentos. Para os profissionais do setor, esses agentes representam tanto uma oportunidade de ganho de eficiência quanto um desafio de adaptação cultural e organizacional, exigindo novas competências em áreas como ciência de dados, cibersegurança e governança de IA.

Do ponto de vista econômico, a adoção de agentes de IA tem potencial para elevar a produtividade global da indústria brasileira em até 12%, de acordo com estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Esse ganho decorre da redução de tempo de parada não programada, estimada em 15% nas fábricas que utilizam monitoramento em tempo real baseado em IA, e da melhoria na alocação de recursos humanos, que podem se concentrar em atividades de maior valor agregado. Em números concretos, empresas como a Gerdau e a Vale já reportaram economias superiores a R$ 150 milhões no último ano, provenientes da otimização de processos logísticos e de manutenção de equipamentos críticos.

Entretanto, a integração desses agentes de IA às rotinas operacionais ainda enfrenta barreiras significativas. A resistência à mudança por parte de equipes de manutenção e de engenharia, que temem a substituição de postos de trabalho, requer investimentos em programas de requalificação e em comunicação interna transparente. Além disso, a falta de padrões regulatórios claros para a governança de IA no Brasil pode gerar insegurança jurídica, especialmente no que tange à responsabilidade por decisões automatizadas que impactem a segurança dos trabalhadores ou a conformidade ambiental.

No contexto da automação industrial, os agentes de IA estão sendo implementados em sistemas de controle avançado (ACA) que interagem diretamente com controladores lógicos programáveis (CLPs) e com plataformas de Internet das Coisas (IoT). Essa convergência permite a criação de “fábricas inteligentes” onde a produção é ajustada em tempo real com base em previsões de demanda, condições de máquinas e disponibilidade de energia. Para o setor de energia, a IA contribui para a gestão de redes híbridas, otimizando o despacho de energia renovável e reduzindo perdas operacionais, o que pode refletir em tarifas mais competitivas para a indústria.

Os analistas de mercado apontam que o ritmo de adoção de agentes de IA deve acelerar nos próximos três a cinco anos, impulsionado por políticas públicas de incentivo à inovação, como o Programa de Apoio à Capacitação Tecnológica (PACT) e linhas de crédito específicas do BNDES. A expectativa é que até 2028 cerca de 70% das empresas de grande porte no segmento metalúrgico utilizem ao menos um agente cognitivo em suas operações, o que pode gerar um aumento acumulado de investimentos em tecnologia de cerca de R$ 45 bilhões, conforme projeções da Associação Brasileira de Automação (ABRA).

Para os gestores, a principal recomendação é desenvolver um roadmap de IA que inclua avaliação de riscos, definição de métricas de desempenho e integração gradual com sistemas legados. A criação de comitês de ética e de governança de IA, alinhados às diretrizes da LGPD, pode mitigar riscos de vieses algorítmicos e garantir a conformidade regulatória. Assim, empresas que adotarem uma abordagem estruturada e investirem em capacitação de talentos estarão melhor posicionadas para transformar os agentes de IA em vantagem competitiva sustentável.

Fonte original

EExame