Voltar às notícias
TecnologiaBrasil

BNDES e Petrobras firmam parceria para P&D em terras raras no Brasil

BNDES e Petrobras firmam parceria para P&D em terras raras no Brasil

Em comemoração ao 74º aniversário do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a instituição anunciou uma parceria estratégica com a Petrobras voltada à pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) em terras raras, minerais críticos para a cadeia de suprimentos de alta tecnologia. O acordo, firmado em âmbito de cooperação institucional, tem como objetivo principal criar um ecossistema nacional capaz de agregar valor aos recursos minerais brasileiros, reduzindo a dependência de importações e fortalecendo a competitividade da indústria metalmecânica, de automação e de energia no país.

Para o setor industrial, a iniciativa representa um marco, pois as terras raras – como neodímio, disprósio e lantânio – são componentes essenciais em motores elétricos, turbinas eólicas, sistemas de controle avançado, baterias de veículos elétricos e equipamentos de mineração de alta precisão. Atualmente, o Brasil importa mais de 90% desses elementos, principalmente da China, o que eleva custos e expõe a cadeia produtiva a riscos geopolíticos. A parceria BNDES‑Petrobras pretende, portanto, mitigar esses riscos ao estimular a exploração de jazidas ainda inexploradas em território nacional, bem como o desenvolvimento de processos de beneficiamento e reciclagem mais eficientes.

Do ponto de vista econômico, o projeto conta com um aporte inicial de R$ 1,2 bilhão, dividido entre recursos de longo prazo do BNDES e investimentos diretos da Petrobras em centros de pesquisa e laboratórios de prototipagem. A expectativa é que, nos próximos cinco anos, a produção interna de terras raras alcance 15 mil toneladas métricas, gerando um impacto direto de cerca de R$ 4,5 bilhões no PIB industrial e criando mais de 12 mil empregos diretos e indiretos nas regiões de mineração, logística e desenvolvimento tecnológico. Dados da Associação Brasileira de Metalurgia e Siderurgia (ABM) indicam que um aumento de 10% na disponibilidade de terras raras pode reduzir em até 6% o custo de produção de motores elétricos, ampliando a competitividade das fábricas brasileiras no mercado global.

Além do aporte financeiro, o acordo inclui a criação de um consórcio de pesquisa envolvendo universidades federais, institutos de tecnologia (como o Instituto Nacional de Tecnologia – INT), e empresas de base como a Vale e a Gerdau. Esse consórcio será responsável por desenvolver novas técnicas de extração seletiva, processos de purificação de alto rendimento e soluções de economia circular, como a reciclagem de resíduos eletrônicos. A Petrobras, por sua vez, aportará sua expertise em engenharia de campo e infraestrutura de transporte, bem como acesso a plataformas offshore que podem ser adaptadas para a exploração de depósitos submarinos de terras raras.

Do ponto de vista regulatório, a iniciativa deverá acelerar a aprovação de projetos de mineração de minerais críticos, que até então enfrentavam longos trâmites burocráticos. O BNDES já sinalizou a intenção de simplificar linhas de crédito e oferecer garantias de longo prazo para projetos que atendam a critérios de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental, alinhados à política nacional de transição energética. Essa abordagem pode reduzir o custo de capital em até 30%, tornando os investimentos mais atrativos para investidores nacionais e estrangeiros.

Analistas do mercado de commodities apontam que a parceria pode posicionar o Brasil como o terceiro maior produtor mundial de terras raras até 2030, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Essa projeção baseia-se em estimativas de reservas ainda não declaradas em estados como Minas Gerais, Bahia e Pará, onde sondagens recentes indicam concentrações promissoras. Caso as metas sejam atingidas, a balança comercial do país poderia registrar um superávit de US$ 1,8 bilhão anual com a exportação desses materiais, reforçando a estratégia de diversificação da matriz exportadora brasileira.

Em síntese, a aliança BNDES‑Petrobras para PD&I em terras raras tem potencial de transformar a estrutura produtiva do Brasil, incentivando a verticalização da cadeia de valor e reduzindo vulnerabilidades externas. Para os profissionais da metalmecânica, siderurgia, automação e energia, isso se traduz em maior disponibilidade de insumos críticos, custos mais estáveis e oportunidades de inovação em produtos de alta performance. O acompanhamento próximo das etapas de implementação será crucial para avaliar os resultados econômicos e o cumprimento dos compromissos ambientais, aspectos fundamentais para a sustentabilidade de longo prazo do setor industrial brasileiro.

Fonte original

BBrasil 247