BNDES e Petrobras firmam parceria sobre minerais críticos e estratégicos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobras firmaram, nesta terça‑feira, um acordo de cooperação que prevê a troca de informações e a realização de análises conjuntas sobre lacunas produtivas e tecnológicas nas cadeias de minerais críticos e estratégicos. O termo de parceria, assinado em Brasília, tem como objetivo mapear gargalos que afetam projetos de mineração, beneficiamento e aplicação desses recursos, especialmente aqueles vinculados à transição energética e à descarbonização da matriz industrial brasileira. Para executivos da cadeia metalúrgica e de siderurgia, a iniciativa representa um passo importante para alinhar investimentos de longo prazo com as demandas de setores que dependem de matérias‑primas como níquel, cobalto, lítio, grafite e terras raras, fundamentais para a produção de baterias, catalisadores e componentes de alta performance.
Segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), a produção nacional de minerais críticos ainda cobre menos de 30% da demanda interna, sendo o Brasil altamente dependente de importações, principalmente da China, que domina a cadeia de suprimentos de lítio e cobalto. O BNDES, que controla cerca de R$ 1,5 trilhão em ativos financeiros, tem intensificado seu papel de agente de fomento para projetos de mineração avançada, enquanto a Petrobras, com sua expertise em exploração e infraestrutura, pode contribuir com estudos de viabilidade e com o uso de suas plataformas logísticas para escoamento de produção. A parceria, portanto, cria um canal institucional para que ambas as entidades compartilhem bases de dados geológicos, avaliações de risco e modelos de negócio que reduzam a incerteza de investidores privados.
Do ponto de vista econômico, o acordo tem potencial de gerar impactos positivos significativos. A Associação Brasileira da Indústria de Mineração (ABRAMIN) estima que a ampliação da produção de minerais críticos poderia agregar até US$ 10 bilhões ao PIB brasileiro até 2035, além de criar cerca de 150 mil empregos diretos e indiretos nas regiões de mineração. A parceria também pode acelerar a captação de recursos da BNDES para linhas de crédito específicas, que atualmente somam R$ 30 bilhões em projetos de energia limpa e infraestrutura de transporte, ao incorporar garantias técnicas e de mercado derivadas das análises conjuntas com a Petrobras.
Um dos focos centrais da cooperação será a descarbonização da cadeia produtiva. A Petrobras já possui experiência em captura e armazenamento de CO₂ (CCS) em projetos offshore, tecnologia que pode ser adaptada para o tratamento de resíduos de mineração e para a produção de hidrogênio verde. O BNDES, por sua vez, tem financiado iniciativas de energia renovável que podem ser integradas a operações de mineração, como parques solares em áreas de mineração desativada. Essa sinergia pode reduzir a intensidade de carbono dos processos metalúrgicos em até 20% até 2030, conforme projeções do Instituto de Pesquisas Energéticas (IPE), contribuindo para que o Brasil atinja as metas de redução de emissões estabelecidas no Acordo de Paris.
Para o setor de automação industrial, a parceria abre oportunidades de desenvolvimento de tecnologias de monitoramento em tempo real, análise de dados e inteligência artificial aplicadas à cadeia de suprimentos de minerais críticos. Empresas de automação e controle, como a Siemens e a ABB, já demonstram interesse em adaptar suas soluções de fábrica inteligente (Smart Factory) para ambientes de mineração, o que pode melhorar a eficiência operacional em até 15% e reduzir custos de manutenção. A cooperação entre BNDES e Petrobras pode facilitar a criação de pilotos de automação em minas de lítio no estado de Minas Gerais, impulsionando a competitividade das empresas brasileiras frente a concorrentes internacionais.
Observadores do mercado apontam que o sucesso da parceria dependerá da capacidade das duas instituições de articular políticas públicas, regulações ambientais e incentivos fiscais. O Ministério de Minas e Energia ainda precisa definir marcos regulatórios claros para a extração de minerais críticos, incluindo a simplificação de licenças ambientais e a definição de royalties adequados. Enquanto isso, a expectativa é que a primeira rodada de estudos conjuntos seja concluída até o final de 2024, com recomendações específicas para investimentos estratégicos em projetos de mineração de lítio e cobalto, bem como para a implantação de infraestrutura de transporte e energia renovável nas regiões produtoras.
Fonte original
EEstadao Br
