Brasil e Alemanha discutem futuro do aço verde

O encontro “Climate Talks Belo Horizonte – Diálogo Climático Brasil-Alemanha: Aço Verde em Transformação”, realizado na sede da FIEMG em 23 de setembro, reuniu executivos de siderurgia, pesquisadores, representantes financeiros e organizações internacionais para debater a transição da indústria de aço para modelos de baixo carbono. O evento, que contou com a presença de autoridades do Ministério do Desenvolvimento Industrial e de representantes da German Steel Association (VDA), destacou a necessidade de alinhamento entre políticas públicas, inovação tecnológica e financiamento global.
Para o Brasil, a relevância do aço verde é dupla: a produção nacional de aço bruto ultrapassa 45 milhões de toneladas por ano, representando cerca de 5% da produção mundial, e a maior parte dessa produção ainda depende de processos de redução direta de minério de ferro com carvão. A transição para hidrogênio verde ou eletrólise de hidrogênio, combinada com a captura e armazenamento de carbono (CCS), pode reduzir em até 90% as emissões de CO₂, alinhando o país às metas de Paris e reforçando a competitividade das empresas brasileiras em mercados que exigem produtos de baixo carbono.
Por outro lado, a Alemanha lidera na adoção de tecnologias de aço de carbono neutro, investindo mais de €2 bilhões em projetos de hidrogênio verde e CCS em sua matriz de aço. A colaboração entre os dois países pode acelerar o desenvolvimento de “green steel” em escala, aproveitando a expertise alemã em engenharia de processos e a vantagem brasileira de recursos minerais e de energia hidrelétrica barata. Parcerias de pesquisa e desenvolvimento (P&D) foram anunciadas, incluindo o compartilhamento de dados em plataformas digitais de simulação de processos.
Os impactos econômicos são significativos. Estima-se que a transição para aço verde pode gerar cerca de 150 mil empregos diretos e indiretos na cadeia de produção brasileira, além de criar oportunidades de exportação de aço de baixo carbono para mercados europeus que exigem certificação de carbono. O custo adicional estimado para a produção de aço verde varia entre 20% e 30% em relação ao tradicional, mas a expectativa de redução de tarifas de carbono e acesso a incentivos fiscais pode equilibrar o investimento a médio prazo.
Dados recentes apontam que a produção de aço verde no mundo deve crescer 3,5% ao ano até 2030, atingindo 200 milhões de toneladas, enquanto a demanda global de aço de baixo carbono deverá representar 30% do mercado total. No Brasil, o governo já anunciou um pacote de incentivos fiscais de R$ 2,5 bilhões para projetos de hidrogênio verde em siderúrgicas, enquanto a VDA planeja investir €1,2 bilhão em joint ventures brasileiras. Essas iniciativas são fundamentais para que o Brasil se posicione como um fornecedor estratégico de aço de baixo carbono na cadeia global.
O próximo passo, conforme discutido no evento, envolve a formalização de acordos bilaterais de financiamento, a criação de um fundo conjunto de inovação e a harmonização de normas de certificação de emissões. A expectativa é que, em 2025, os primeiros projetos de produção de aço verde em escala comercial no Brasil estejam operacionais, com a possibilidade de exportar para a União Europeia e para o mercado norte‑americano, que já estão avançando em regulamentos de emissões para produtos de aço.
Em síntese, o diálogo Brasil‑Alemanha sobre aço verde representa um marco estratégico para a indústria metalúrgica brasileira, combinando avanços tecnológicos, apoio financeiro e alinhamento regulatório. A adoção de processos de baixo carbono não apenas contribuirá para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa, mas também posicionará o país como protagonista em um mercado global que está cada vez mais orientado para a sustentabilidade e a inovação.
Fonte original
FFIEMG
