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Braskem tem queda nas ações após credores resistirem ao plano de reestruturação

Braskem tem queda nas ações após credores resistirem ao plano de reestruturação

A notícia de que credores da Braskem – a maior petroquímica da América Latina – manifestaram resistência ao plano de reestruturação apresentado pela companhia provocou forte queda nas ações da empresa na B3, que recuaram mais de 12% nas primeiras horas de negociação. O impasse, relatado pela Bloomberg e divulgado pela InfoMoney, gira em torno de alegações de tratamento desigual e de garantias insuficientes oferecidas a diferentes classes de credores. Para executivos da cadeia de suprimentos, investidores institucionais e gestores de risco do setor industrial, a situação representa um alerta sobre a vulnerabilidade de grandes conglomerados a pressões de crédito em um cenário macroeconômico ainda incerto.

Desde a crise de liquidez desencadeada pela pandemia, a Braskem tem buscado renegociar dívidas que totalizam cerca de R$ 36 bilhões, incluindo empréstimos bancários, debêntures e dívidas trabalhistas. O plano de reestruturação, apresentado em maio, previa a extensão de prazos, a redução de juros e a emissão de novos títulos subordinados, além de garantias reais sobre ativos industriais estratégicos, como unidades de produção em Alagoas e Rio de Janeiro. Contudo, credores de segunda linha alegam que o acordo favorece credores seniores, deixando-os com menor participação nos ativos remanescentes e sem a proteção de garantias colaterais adequadas.

O descontentamento dos credores pode gerar consequências imediatas para o mercado de capitais e para a própria operação da Braskem. Caso o plano seja rejeitado, a empresa poderá ser obrigada a buscar a recuperação judicial, procedimento que costuma alongar o prazo de pagamento de fornecedores e aumentar o custo de capital. Para o setor metalúrgico e siderúrgico, que depende de insumos químicos como PVC e polietileno, a instabilidade financeira de um fornecedor de grande porte pode acarretar atrasos na cadeia de produção, pressões sobre preços e necessidade de revisões contratuais. Analistas estimam que um cenário de recuperação judicial poderia elevar o custo de financiamento das empresas do segmento em até 150 pontos base, refletindo o aumento do risco percebido pelos bancos.

Do ponto de vista macroeconômico, a resistência dos credores à reestruturação da Braskem ocorre em um momento em que o Brasil ainda enfrenta alta taxa de juros – a Selic está em 13,75% ao ano – e inflação acima da meta, o que restringe a disponibilidade de crédito para projetos de expansão e modernização. O Índice de Confiança do Empresário (ICE) da Fiesp para o setor industrial caiu para 78,9 em maio, indicando cautela diante de condições de financiamento menos favoráveis. Nesse contexto, a perda de confiança dos credores em um dos maiores emissores de dívida corporativa pode reverberar em toda a estrutura de crédito do país, elevando spreads de títulos corporativos e encarecendo o acesso a recursos para investimentos em automação e energia limpa.

Especialistas em reestruturação apontam que a negociação ainda tem caminhos, mas exigirá concessões mútuas. Uma alternativa seria a criação de um “trust” de ativos, que garantiria a todos os credores um direito de cobrança sobre fluxos de caixa futuros das unidades petroquímicas, reduzindo a percepção de tratamento desigual. Outra possibilidade seria a emissão de títulos híbridos, combinando características de dívida e participação acionária, que poderiam atender às exigências de retorno dos credores seniores sem diluir excessivamente o controle acionário da empresa. Essas estratégias, no entanto, demandam aprovação regulatória e podem levar meses para serem implementadas.

Enquanto isso, o mercado acompanha de perto as próximas movimentações da Braskem. A empresa tem sinalizado que pretende evitar a recuperação judicial, pois entende que tal medida poderia comprometer projetos estratégicos, como a expansão da planta de Braskem Santos e o investimento em tecnologias de captura de carbono. A expectativa dos analistas é de que, no curto prazo, as ações da companhia continuem voláteis, refletindo a incerteza sobre a solução do impasse. No médio e longo prazo, a capacidade da Braskem de restabelecer um acordo sólido com seus credores será decisiva para a estabilidade do setor petroquímico brasileiro e para a confiança dos investidores no mercado de dívida corporativa do país.

Fonte original

IInfoMoney