Câmara da Moda debate FIEMG Moove e Reforma Tributária

Na última quinta-feira, a Câmara da Indústria do Vestuário, Calçados e Acessórios da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) realizou uma reunião em Belo Horizonte que reuniu representantes de diversas empresas do setor, com foco na apresentação do FIEMG Moove e na discussão da Reforma Tributária. A presença da superintendente de Defesa de Interesse e Gestão da FIEMG, Érika Morreale, e de especialistas em tributação reforçou o caráter estratégico da pauta, que visa alinhar as demandas do setor de moda às mudanças legislativas que impactam diretamente a cadeia de produção no Brasil.
O FIEMG Moove é um programa de inovação e modernização voltado para a indústria de moda, que oferece consultoria em processos de produção, digitalização de sistemas de gestão e adoção de tecnologias de automação. A iniciativa pretende reduzir custos operacionais e aumentar a competitividade das empresas mineiras no mercado global, ao mesmo tempo em que facilita a adoção de práticas sustentáveis e a integração de fornecedores de materiais, incluindo componentes metalúrgicos, que são essenciais para a fabricação de fechos, zíperes e acessórios de vestuário.
O debate sobre a Reforma Tributária, que tem sido pauta recorrente no cenário econômico brasileiro, destacou a necessidade de simplificação das regras de tributação sobre bens e serviços. Para a indústria metal-mechanic, a reforma pode significar a redução de alíquotas sobre insumos importados, como aço e ligas metálicas, além de mudanças no regime de tributação de serviços de manutenção e montagem de equipamentos. A superintendente Morreale ressaltou que, embora a reforma promova a eficiência fiscal, é crucial que as mudanças sejam implementadas de forma gradual para evitar choques nos fluxos de caixa das empresas que dependem de componentes metalúrgicos.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da própria FIEMG, o setor de moda emprega cerca de 1,2 milhão de pessoas no Brasil, das quais 18% são diretamente ligados à produção de componentes metalúrgicos. A adoção do Moove tem potencial para reduzir em até 12% os custos de produção dessas peças, enquanto a reforma tributária, se bem estruturada, pode gerar uma economia de R$ 3,5 bilhões em impostos pagos anualmente por empresas que importam materiais de origem metálica. Esses números apontam para um cenário em que a sinergia entre inovação tecnológica e simplificação tributária pode impulsionar a competitividade das cadeias produtivas locais.
O impacto econômico da discussão vai além do setor de moda. Empresas de metal-mechanic, que fornecem componentes críticos para calçados, roupas e acessórios, podem se beneficiar de uma redução de custos de matéria-prima e de uma maior previsibilidade fiscal. No entanto, a volatilidade cambial e a necessidade de adaptar processos de fabricação às exigências de qualidade internacional permanecem como desafios significativos. A FIEMG enfatizou a importância de parcerias entre indústrias e universidades para desenvolver soluções de automação que reduzam a dependência de mão‑de‑obra intensiva e aumentem a precisão na produção de peças metálicas.
Perspectivas de mercado indicam que, nos próximos três anos, o investimento em tecnologia de automação e robótica no setor metal‑mechanic deverá crescer 8,3%, impulsionado por demandas de personalização e produção enxuta. A integração de sistemas de gestão ERP com módulos de controle de qualidade e rastreabilidade, promovidos pelo Moove, pode acelerar a adaptação das empresas às normas internacionais de sustentabilidade, como a ISO 14001 e a GOTS (Global Organic Textile Standard). Assim, a convergência entre a reforma tributária e o programa de inovação do FIEMG pode criar um ecossistema mais robusto, onde a produção de componentes metálicos se torna mais eficiente, sustentável e economicamente viável, beneficiando não apenas o setor de moda, mas toda a cadeia de metal‑mechanic no Brasil.
Fonte original
FFIEMG
