CNI, FINDES e mais de 400 entidades assinam manifesto contra mudanças na jornada de trabalho

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (FINDES) e mais de 400 entidades do setor produtivo assinaram nesta segunda‑feira um manifesto contestando a proposta de alteração da jornada de trabalho que está sendo discutida no Congresso Nacional. O documento, divulgado em São Paulo, aponta que a mudança, que prevê a redução gradativa da jornada semanal de 44 para 40 horas, pode gerar aumento de custos operacionais e de encargos trabalhistas, impactando diretamente a competitividade das indústrias capixabas, que já operam em um cenário de alta carga tributária e de pressão por aumento de produtividade.
Para os empresários do Espírito Santo, a alteração legislativa representa um risco de elevação dos custos de mão‑de‑obra em um estado que tem atraído investimentos significativos nos segmentos de siderurgia, petroquímica, metalúrgico e de bens de capital. A FINDES alerta que a medida pode exigir a contratação de mais trabalhadores para manter a mesma produção, ou a necessidade de pagamento de horas extras, reduzindo a margem de lucro das empresas. Além disso, os líderes industriais destacam que a flexibilidade horária é essencial para atender demandas sazonais e cumprir prazos em projetos de grande porte, características marcantes da cadeia produtiva capixaba.
O manifesto também enfatiza que a proposta de mudança na jornada de trabalho pode gerar impactos indiretos na cadeia de suprimentos local. Fornecedores de componentes, serviços de logística e empresas de manutenção, que dependem da estabilidade de contrato e da previsibilidade de produção das indústrias maiores, podem ver sua demanda enfraquecer caso haja necessidade de ajustes operacionais abruptos. Neste contexto, a CNI e a FINDES solicitam que o Congresso adie a votação da reforma e abra um amplo debate setorial, envolvendo sindicatos, empregadores e órgãos de classe, para encontrar soluções equilibradas que preservem a geração de empregos e a competitividade do setor.
Representantes de entidades como a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas do ES e a Confederação Nacional dos Trabalhadores (CNT) também assinaram o manifesto, reforçando a demanda por um diálogo que considere tanto a proteção ao trabalhador quanto a sustentabilidade econômica das empresas. Os signatários destacam que a flexibilização de acordos coletivos, prevista em acordos de regime de negociação direta, pode ser uma alternativa mais adequada que a imposição de mudança geral da jornada.
Enquanto isso, o Ministério da Economia mantém a proposta em tramitação, argumentando que a redução da jornada semanal seria um passo importante para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e incentivar a modernização dos processos produtivos. Contudo, os industriais capixabas apontam que, sem investimento em tecnologia e qualificação profissional, a mera redução de horas pode gerar um efeito contrário, pressionando ainda mais a produtividade e a viabilidade financeira das fábricas. A FINDES, portanto, recomenda a priorização de incentivos fiscais, linhas de crédito específicas para automação e programas de treinamento técnico como medidas mais eficazes para melhorar a competitividade do setor.
O manifesto permanecerá vigente até que o Congresso considere as contribuições apresentadas pelos diferentes atores da indústria capixaba. As organizações firmantes convidam os gestores de fábricas, diretores de planta e profissionais de recursos humanos a acompanhar de perto o andamento da discussão legislativa, avaliando os possíveis desdobramentos e elaborando planos de contingência que garantam a continuidade da produção sem comprometer a saúde financeira das empresas. O portal Metalmecânica continuará trazendo atualizações sobre o tema e análises de especialistas do setor.
Fonte original
FFINDES