Conselho da Micro e Pequena Indústria debate crédito, compras e cenário econômico
O Conselho da Micro e Pequena Indústria (CMPI) da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) reuniu-se na quinta‑feira, 18 de junho, na sede da federação em Belo Horizonte, para analisar questões cruciais que afetam a competitividade das empresas de menor porte no estado. Presidida por Alexandre Mol, a mesa contou com a presença de representantes de associações setoriais, dirigentes de fábricas de metalurgia, siderurgia, automação, energia, mineração e petróleo, além de especialistas em finanças corporativas. O debate girou em torno de três pilares estratégicos: acesso a crédito, políticas de compras públicas e o panorama macroeconômico que influencia a demanda interna e a exportação de produtos industriais.
O principal ponto de atenção foi o custo do crédito. Segundo dados divulgados pela FEBRABAN, a taxa média de juros para empresas de pequeno porte em Minas Gerais manteve‑se acima de 12% ao ano no último trimestre, enquanto o CDI recuou apenas 0,4 ponto percentual. Essa disparidade eleva o custo de capital de micro e pequenas indústrias, reduzindo a capacidade de investimento em modernização de linhas de produção e em tecnologia de automação. Ângelo Fuchs, do Departamento de Desenvolvimento Econômico da FIEMG, ressaltou que a falta de garantias reais e a burocracia nos processos de aprovação de crédito ainda são barreiras significativas para o setor.
Em paralelo, o Conselho discutiu a importância das políticas de compras governamentais como alavanca de crescimento. O programa de compras locais, implementado pelo governo estadual, reserva até 30% dos contratos de obras públicas para fornecedores mineiros de pequeno porte, desde componentes mecânicos até equipamentos de controle de processos. No entanto, a participação efetiva desses fornecedores ainda é inferior a 12%, segundo levantamento interno da FIEMG. A dificuldade reside na falta de certificação de qualidade e na capacidade de atender a requisitos técnicos exigidos pelos editais, especialmente nas áreas de siderurgia avançada e sistemas de automação industrial.
Do ponto de vista macroeconômico, os participantes avaliaram o impacto da recente desaceleração do PIB brasileiro, que recuou 0,3% no segundo trimestre de 2024, e das flutuações cambiais que encareceram insumos importados, como aço especial e componentes eletrônicos. A desvalorização do real em 5% frente ao dólar, medida divulgada pelo Banco Central, aumentou o custo de matéria‑prima para as indústrias de metalurgia de precisão, pressionando margens de lucro já apertadas. Por outro lado, o aumento da demanda interna por produtos de energia renovável e mineração, impulsionado pelos projetos de transição energética, abre oportunidades para pequenos fabricantes de equipamentos de bombeamento, válvulas e sistemas de monitoramento.
Os dados apresentados pela FIEMG indicam que, apesar das adversidades, as micro e pequenas indústrias de Minas Gerais representam 45% do total de estabelecimentos industriais do estado e concentram cerca de 30% dos empregos formais no setor. O Conselho, portanto, enfatizou a necessidade de políticas públicas que facilitem linhas de crédito com garantias simplificadas, bem como programas de capacitação técnica para atender às exigências de compras públicas. A proposta de criação de um fundo de garantia estadual, alimentado por recursos de bancos públicos e privados, foi colocada em votação preliminar e deverá ser discutida em reunião do Conselho de Política Industrial ainda este semestre.
Para o futuro próximo, os analistas do setor apontam que a combinação de crédito mais barato, maior participação em licitações e a adoção de tecnologias de automação – como controladores programáveis (PLC) e sensores IoT – pode elevar a produtividade média das micro e pequenas indústrias em até 15% nos próximos dois anos. Esse ganho de eficiência seria crucial para melhorar a competitividade frente a concorrentes estrangeiras, sobretudo nas cadeias de suprimentos da siderurgia e da mineração, que exigem alta qualidade e entregas dentro de prazos rigorosos. O CMPI concluiu que a sinergia entre iniciativa privada, governo e instituições financeiras será determinante para sustentar o crescimento do segmento e preservar milhares de postos de trabalho no estado.
Fonte original
FFIEMG