Conselho de Política Econômica debate cenário da indústria

O Conselho de Política Econômica (CPE) da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) reuniu-se nesta quinta-feira (24/9) para discutir o panorama econômico nacional, os desafios enfrentados pela indústria brasileira e as perspectivas para os próximos ciclos. A reunião contou com a presença de executivos de empresas de metalmecânica, siderurgia, automação, energia, mineração e petróleo, além de economistas e especialistas em políticas públicas. O objetivo central foi alinhar estratégias que favoreçam a competitividade e a sustentabilidade do setor industrial no estado.
Durante a sessão, os participantes destacaram a crescente pressão sobre os custos de produção, impulsionada pelos aumentos nos preços de commodities globais, especialmente aço e energia elétrica. Em 2024, a inflação acumulada atingiu 7,9%, o que se refletiu em aumentos de 12% nos preços de matéria-prima, exigindo ajustes de preços e de produtividade nas linhas de montagem. A FIEMG ressaltou a necessidade de políticas de incentivo à inovação tecnológica e à digitalização dos processos, como forma de mitigar esses impactos e preservar a margem de lucro das empresas.
Os debates também abordaram a demanda interna e externa, com ênfase nas exportações de aço e componentes automotivos. Dados do Ministério da Economia indicam que o volume de exportações brasileiras de aço aumentou 4,3% em 2023, impulsionado por contratos com países da América Latina e da África. No entanto, a concorrência chinesa e as tarifas de proteção comercial em mercados-chave exigem estratégias de diferenciação, principalmente em produtos de alta tecnologia e customizados.
Em termos de perspectivas macroeconômicas, os especialistas apontaram que o PIB brasileiro deve crescer 2,8% em 2025, com o setor industrial representando 25% desse aumento. O cenário de juros moderados, previsto para manter a taxa básica de juros (Selic) em torno de 9,75%, favorece a captação de crédito e a expansão de investimentos em maquinário e infraestrutura. A FIEMG enfatizou a importância de programas de financiamento com condições favoráveis para projetos de eficiência energética e redução de emissões de CO₂, alinhados às metas de descarbonização do governo federal.
O encontro também destacou a necessidade de fortalecer a cadeia de suprimentos nacional. A escassez de componentes eletrônicos e de semicondutores, que afetou a produção de veículos automotivos e equipamentos de automação, permanece um ponto crítico. A FIEMG propôs a criação de um fundo de contingência para apoiar a aquisição de peças críticas, bem como incentivos fiscais para empresas que invistam em capacidade de produção interna desses componentes.
Para concluir, o CPE ressaltou que a resiliência da indústria brasileira depende de políticas públicas que incentivem a inovação, a eficiência energética e a integração da cadeia de valor. A FIEMG compromete-se a continuar atuando como interlocutora entre o setor produtivo e o governo, buscando soluções que garantam competitividade e sustentabilidade no longo prazo. A próxima reunião está programada para outubro, com foco em resultados das iniciativas discutidas e na elaboração de recomendações concretas para o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).
Fonte original
FFIEMG
