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CSN e CSN Mineração: ações despencam na B3 após revisão de produção e custos em 2026

CSN e CSN Mineração: ações despencam na B3 após revisão de produção e custos em 2026

O anúncio da CSN Mineração de reduzir temporariamente a produção de minério de ferro de menor teor na planta de processamento a seco do Complexo Pires gerou reação imediata no mercado de capitais, com as ações da empresa caindo mais de 12% na B3 no dia de abertura. A decisão, que se estende até o final de 2026, reflete ajustes de custo e otimização de portfólio de produção que a companhia considera imprescindíveis diante da volatilidade dos preços globais de ferro e do aumento dos custos de logística e energia.

Para a indústria metalúrgica, a medida tem implicações diretas na oferta de matéria-prima de baixa qualidade, que historicamente representa cerca de 35% da produção total de minério de ferro da CSN. A redução de 8% na capacidade de processamento do Complexo Pires, que atende principalmente a clientes de siderurgia de médio porte, pode levar a uma pressão de preços mais acentuada em regiões onde o ferro de menor teor ainda é dominante. A expectativa é de que a demanda se consolide em contratos de longo prazo, favorecendo empresas com capacidade de absorver custos mais elevados.

No contexto econômico, a CSN Mineração reportou no último trimestre um aumento de 4,5% nos custos de produção, impulsionado pelo preço do gás natural que subiu 18% no período. A revisão de produção visa equilibrar o balanço entre custo e receita, mantendo a margem operacional em torno de 6,2%, valor que está acima da média setorial de 5,7%. A empresa também planeja investir 1,2 bilhão de reais em melhorias de eficiência energética na planta, o que pode reduzir os custos de energia em 5% nos próximos 12 meses.

Os analistas do setor apontam que a decisão pode ter repercussões positivas a médio prazo, já que a CSN Mineração pretende realocar recursos para a produção de minério de alta qualidade, que apresenta maior valor agregado e menor risco de variações de preço. “A consolidação da produção em grades superiores pode impulsionar a competitividade da CSN no mercado internacional, sobretudo na China e na Europa, onde a demanda por ferro de alta qualidade continua em ascensão”, destaca o economista Carlos Mota da FGV.

Entretanto, o mercado reage com cautela. O índice Bovespa de commodities caiu 0,8% no mesmo dia, refletindo a preocupação de que a redução de oferta de ferro de menor teor possa gerar gargalos de abastecimento em setores dependentes de insumos a baixo custo, como a construção civil e a indústria automotiva. A expectativa de que o preço do ferro suba 3,5% no próximo trimestre, segundo a Bloomberg, reforça a visão de que a CSN Mineração está tentando proteger sua rentabilidade em meio a um cenário de alta inflação e juros elevados.

Em termos de perspectiva de mercado, a CSN Mineração projeta que a produção total de 2026 será de 12,3 milhões de toneladas, 6% abaixo da meta inicial, mas com um índice de qualidade de 78% em comparação com o atual 72%. Esse ajuste deve permitir que a empresa mantenha sua posição de liderança no segmento de minério de ferro de alta qualidade, ao mesmo tempo em que reduz a exposição a custos variáveis. A expectativa de crescimento do PIB brasileiro em 2,1% no próximo ano, combinada com a demanda interna de aço, sugere que a CSN Mineração pode se beneficiar de um ambiente de mercado favorável, desde que continue a otimizar sua estrutura de custos.

Para os profissionais do setor, a decisão da CSN Mineração destaca a importância de monitorar não apenas os preços globais de ferro, mas também as estratégias de produção e os custos de energia que influenciam diretamente a competitividade das empresas metalúrgicas. A consolidação de produção em grades superiores e o investimento em eficiência energética podem se tornar diferenciais estratégicos em um mercado cada vez mais sensível a variáveis macroeconômicas e de volatilidade de commodities.

Fonte original

IInfoMoney