Curso da Fundacentro aborda evolução da saúde e segurança do trabalhador e impactos das no

A iniciativa da Fundacentro, realizada em formato híbrido (presencial e on‑line), traz à tona a necessidade de repensar as práticas de saúde e segurança do trabalhador (SST) diante das transformações tecnológicas que têm marcado a indústria brasileira. O curso, que reúne especialistas em ergonomia, automação e gestão de riscos, foca na análise dos novos perfis de risco gerados por tecnologias como robótica colaborativa, inteligência artificial e a Internet das Coisas (IoT). Para engenheiros, gerentes de planta e diretores de operações, a proposta é clara: compreender como essas inovações alteram a exposição a agentes físicos, químicos e psicossociais, e quais medidas preventivas devem ser adotadas para garantir a conformidade com a NR‑12, NR‑17 e demais normas regulamentadoras.
Um dos pontos centrais da programação foi a avaliação do impacto da automação avançada nas linhas de produção de siderurgia e metalomecânica. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a adoção de sistemas automatizados cresceu 22 % nos últimos três anos, reduzindo o número de acidentes com máquinas em 15 %, mas ao mesmo tempo aumentando a incidência de lesões por esforço repetitivo e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT). O curso destacou a importância de integrar sensores de monitoramento de postura e softwares de análise de fadiga muscular, ferramentas que permitem intervenções em tempo real e mitigam os efeitos cumulativos de tarefas repetitivas.
No setor de mineração, a digitalização de processos e o uso de veículos autônomos têm potencial para reduzir drasticamente acidentes graves, como quedas de rochas e colisões. Contudo, a Fundacentro alertou para a necessidade de treinamento especializado dos operadores, que passam a lidar com interfaces homem‑máquina mais complexas. Estudos recentes do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) indicam que a taxa de incidentes críticos em minas que adotaram tecnologias de controle remoto caiu de 8,4 para 4,1 acidentes por mil trabalhadores, mas o número de incidentes de natureza ergonômica subiu 9 %, evidenciando um novo desafio para os departamentos de SST.
Do ponto de vista econômico, a redução de acidentes tem repercussão direta nos custos operacionais. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) estima que cada acidente de trabalho acarreta um gasto médio de R$ 120 mil para as empresas, incluindo despesas médicas, afastamento e indenizações. Ao implementar soluções tecnológicas de prevenção, as indústrias podem economizar até 30 % desses custos, além de melhorar a produtividade, já que menos interrupções são necessárias para investigações e reparos. O curso ressaltou ainda que investimentos em SST são cada vez mais valorizados por investidores institucionais, que consideram indicadores de segurança como parte dos critérios ESG (Environmental, Social and Governance).
Para o futuro próximo, a perspectiva do mercado aponta para a consolidação de plataformas integradas de gestão de risco, capazes de cruzar dados de sensores IoT, históricos de incidentes e análises preditivas baseadas em machine learning. A Fundacentro projetou que, até 2030, 65 % das grandes empresas de metalomecânica no Brasil terão adotado sistemas de monitoramento em tempo real, impulsionados por incentivos fiscais e linhas de crédito específicas para inovação em segurança. Essa tendência deve gerar demanda por profissionais com competências híbridas – que dominem tanto a engenharia de produção quanto a ciência de dados – configurando um novo perfil de talento para o setor.
Em síntese, a atividade da Fundacentro evidencia que a evolução tecnológica, longe de eliminar a necessidade de políticas de saúde e segurança, a transforma em um campo ainda mais estratégico. A integração de tecnologias emergentes com práticas de prevenção robustas representa não apenas um caminho para a redução de acidentes, mas também um diferencial competitivo que pode impactar positivamente a rentabilidade e a reputação das empresas brasileiras no cenário global.
Fonte original
FFundacentro