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Curso discute Cipa, inclusão de pessoas com deficiência, diálogo social e negociação sindi

O Fundacentro lançou, nesta segunda‑feira, um curso gratuito que aborda a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), a inclusão de pessoas com deficiência, o diálogo social e a negociação sindical, oferecendo modalidades presencial e on‑line com inscrições até 14 de abril. Para executivos e gestores da cadeia metalúrgica, siderúrgica, de automação, energia, mineração e petróleo, o tema é estratégico, pois a conformidade regulatória e a gestão de capital humano são fatores críticos de competitividade e de acesso a linhas de crédito que exigem políticas de responsabilidade social e de segurança ocupacional bem estruturadas.

O programa, que contará com 24 horas de conteúdo distribuídas em quatro módulos, traz especialistas do Ministério do Trabalho, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e de grandes sindicatos industriais. Entre os tópicos, destaca‑se a atualização das normas NR‑5, que redefine a composição e as atribuições da CIPA, bem como a necessidade de adequação dos planos de ação às metas de redução de acidentes estabelecidas pelo Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (PNSS). Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2023, o setor metalúrgico registrou 12,7 mil acidentes de trabalho com afastamento, representando 8,3% do total nacional, o que indica margem para melhorias significativas.

Além da segurança, o curso dedica um módulo à inclusão de trabalhadores com deficiência (PcD), tema que tem ganhado relevância após a promulgação da Lei nº 13.146/2015 e da recente atualização da Política Nacional de Educação Especial. Estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelam que empresas que adotam práticas inclusivas apresentam até 15% a mais de produtividade, além de melhorarem sua imagem institucional perante investidores que valorizam critérios ESG. No contexto de projetos de grande escala – como a expansão de usinas siderúrgicas no Sudeste ou a implantação de novos polos de automação em Minas Gerais – a capacidade de integrar PcDs pode ser um diferencial competitivo.

O diálogo social e a negociação sindical constituem o quarto eixo do curso, refletindo a crescente necessidade de acordos coletivos que contemplem flexibilidade operacional e estabilidade nas relações de trabalho. Segundo o IBGE, o número de acordos coletivos firmados no setor industrial aumentou 22% entre 2021 e 2023, impulsionado por demandas por jornadas flexíveis e benefícios vinculados à performance. Ao capacitar gestores para conduzir negociações baseadas em dados de produtividade e segurança, o Fundacentro busca reduzir a incidência de greves e paralisações, que historicamente custam ao país cerca de R$ 12 bilhões por ano em perdas de produção.

Do ponto de vista econômico, a capacitação oferecida gratuitamente pode gerar retorno direto ao caixa das empresas. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) estima que a implementação de boas práticas de CIPA e inclusão pode reduzir custos indiretos de acidentes em até 30%, o que, em uma empresa de porte médio do segmento de mineração com faturamento anual de R$ 1,2 bilhão, equivale a uma economia de R$ 36 milhões. Além disso, o alinhamento com requisitos de certificações internacionais, como ISO 45001, abre portas para exportação e para a participação em licitações de grande porte, especialmente no setor de energia, onde projetos de energia renovável demandam compliance rigoroso.

Com inscrições encerrando-se em 14 de abril, o Fundacentro espera atrair cerca de 500 participantes, entre engenheiros de segurança, gestores de recursos humanos e representantes sindicais. A expectativa é que, ao final do curso, os participantes estejam aptos a revisar suas CIPA, elaborar planos de inclusão efetivos e conduzir negociações sindicais mais assertivas, contribuindo para a melhoria dos indicadores de segurança, produtividade e responsabilidade social nas cadeias produtivas brasileiras.

Fonte original

FFundacentro