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Desenrola registra 17 mil operações em pouco mais de um mês

Desenrola registra 17 mil operações em pouco mais de um mês

Ao atingir a marca de 17 mil operações em pouco mais de um mês, o programa Desenrola 2.0 – que mobiliza recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitação de dívidas – chama a atenção do segmento industrial brasileiro. Segundo o Ministério do Trabalho, o valor médio sacado por empresa foi de R$ 604,73, totalizando aproximadamente R$ 10,3 milhões liberados até o momento. Para fábricas, usinas siderúrgicas e empresas de automação, essa linha de crédito representa um alívio imediato na renegociação de empréstimos bancários e financiamentos de projetos de capital, sobretudo em um cenário de juros elevados e restrição de crédito tradicional.

O impacto econômico pode ser mensurado em dois níveis. Primeiro, a diminuição do volume de inadimplência junto a instituições financeiras reduz a pressão sobre o sistema bancário, que tem registrado aumento nos índices de provisionamento de perdas nos últimos trimestres. Segundo, ao liberar recursos para o pagamento de encargos, o programa cria margem de caixa para investimentos em manutenção, modernização de linhas de produção e aquisição de equipamentos de automação. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que, em 2025, 38% das empresas do setor de metalurgia relataram dificuldades para cumprir compromissos financeiros, o que sinaliza que o Desenrola pode ser um fator estabilizador para a continuidade das operações.

Para os players da cadeia de suprimentos, a velocidade de liberação dos recursos – em média 12 dias úteis a partir da solicitação – oferece previsibilidade de fluxo de caixa. Isso permite que fornecedores de matéria-prima, como siderúrgicas e mineradoras, mantenham contratos de fornecimento sem a necessidade de renegociação de prazos de pagamento. No âmbito da energia, usinas termelétricas que dependem de crédito para compra de combustível podem usar o Desenrola para evitar interrupções na produção, mitigando riscos de desabastecimento que historicamente elevam os preços de energia no mercado interno.

Do ponto de vista macroeconômico, a utilização de R$ 10,3 milhões em apenas 30 dias representa cerca de 0,02% do total de recursos disponíveis no FGTS, mas a alavancagem gerada pode repercutir em múltiplos setores. A lógica de “efeito multiplicador” sugere que cada real liberado pode gerar até R$ 3,5 em atividade econômica adicional, segundo projeções do Banco Central. Assim, o programa tem potencial para impulsionar o Índice de Atividade Industrial (IAI) nos próximos meses, especialmente se mantida a adesão de empresas de médio e grande porte.

Entretanto, especialistas alertam para a necessidade de acompanhamento rigoroso dos indicadores de endividamento pós‑Desenrola. A meta de reduzir a dívida consolidada do setor industrial em 5% até o final de 2026 exige que as empresas utilizem o crédito não apenas para pagamento de débitos antigos, mas também para financiar projetos de eficiência energética e digitalização, que podem gerar ganhos de produtividade de 8% a 12% nas linhas de produção.

Olhar para o futuro implica avaliar a extensão do programa. O Ministério do Trabalho indica a possibilidade de ampliação do Desenrola 2.0 para incluir linhas de crédito específicas a projetos de automação e modernização de processos, com taxas preferenciais e prazos mais longos. Caso implementada, essa expansão poderia atrair mais de 50 mil novas operações até o próximo semestre, movimentando cerca de R$ 30 milhões e reforçando a recuperação do setor metalúrgico, que ainda enfrenta desafios de competitividade frente a concorrentes internacionais.

Fonte original

AAgência Brasil