Drones autônomos com IA ampliam segurança e eficiência nas operações industriais

CEO da Drop AI, Robson Scalzer explica como combinação entre inteligência artificial e drones já é utilizada em operações da indústria, mineração e siderurgia
A utilização de drones na indústria está avançando muito além da captura de imagens aéreas. Combinados com Inteligência Artificial, automação e análise de dados, esses equipamentos começam a assumir atividades de monitoramento e inspeção capazes de aumentar a eficiência das operações e reduzir a exposição de trabalhadores a áreas de risco.
A transformação foi abordada por Robson Scalzer, CEO da Drop AI, durante entrevista concedida a Juliano, no podcast Metal Mecânica, gravado durante a feira de inovação Macow.
A empresa desenvolve soluções que combinam drones autônomos com inteligência artificial proprietária para coletar, processar e analisar informações de operações industriais.
https://www.youtube.com/watch?v=7Wc1w9zLpEM
Do drone que filma para o drone que gera informação
Segundo Scalzer, o diferencial da tecnologia não está simplesmente em colocar um drone para sobrevoar uma área industrial.
As imagens coletadas são processadas por modelos de inteligência artificial, permitindo transformar o material capturado em dados, análises e relatórios que podem ser utilizados pelas equipes responsáveis pela operação e manutenção.
Entre as aplicações estão o monitoramento de plantas industriais, cálculo de estoques e volumes de pilhas e inspeção da integridade de estruturas.
Um exemplo citado durante a conversa envolve as chamadas wind fences, estruturas utilizadas para reduzir os efeitos do vento em determinadas áreas operacionais. A inspeção automatizada permite identificar condições que precisam de atenção sem depender exclusivamente da presença física de profissionais em campo.
Primeiro projeto levou dois anos para entrar em operação
Apesar do avanço acelerado da Inteligência Artificial nos últimos anos, a adoção de novas tecnologias dentro de grandes operações industriais ainda enfrenta barreiras.
Scalzer conta que a Drop AI levou aproximadamente dois anos para colocar seu primeiro projeto efetivamente em operação.
Parte desse período foi dedicada à validação da solução. Em ambientes industriais tradicionalmente mais conservadores, foi necessário comparar os resultados obtidos pela nova tecnologia com os processos que já eram utilizados pelas equipes.
A estratégia permitiu demonstrar, na prática, a confiabilidade do novo modelo antes de ampliar sua utilização.
Automação pode retirar trabalhadores de áreas de risco
Um dos impactos mais relevantes da aplicação de drones autônomos está relacionado à segurança dos profissionais.
Atividades de inspeção podem exigir que trabalhadores acessem locais de difícil alcance ou permaneçam próximos de áreas operacionais que apresentam riscos.
Ao automatizar parte desse processo, drones e sistemas inteligentes conseguem coletar informações sem expor profissionais desnecessariamente.
Além do ganho em segurança, a digitalização permite realizar análises mais frequentes e gerar dados capazes de auxiliar decisões sobre manutenção e operação.
IA não elimina o especialista, muda sua função
A chegada da Inteligência Artificial também alimenta discussões sobre o futuro dos empregos industriais.
Na avaliação de Scalzer, a tecnologia deve ser entendida principalmente como uma ferramenta para otimizar a utilização da mão de obra técnica.
Em vez de dedicar grande parte do tempo à procura de falhas, por exemplo, um inspetor pode utilizar informações previamente processadas pela tecnologia para concentrar seus esforços na análise e na manutenção preventiva.
Nesse cenário, o conhecimento técnico continua essencial, mas passa a ser apoiado por ferramentas capazes de realizar atividades repetitivas e processar grandes quantidades de informação.
Dados industriais podem permanecer dentro da própria empresa
Outro desafio para a expansão da IA na indústria é a segurança das informações.
Grandes empresas lidam com dados estratégicos e, em determinadas operações, existe resistência à utilização de soluções que enviem essas informações para ambientes externos ou dependam permanentemente da internet.
Para atender a essa demanda, a Drop AI desenvolveu modelos que podem operar em formato on-premise, ou seja, dentro da infraestrutura do próprio cliente.
Dessa forma, o processamento pode ocorrer localmente, sem a necessidade de enviar dados sensíveis para ambientes externos.
Brasil pode avançar de potência operacional para potência tecnológica
Ao final da conversa, Scalzer defende que o Brasil já demonstrou capacidade para desenvolver grandes operações industriais, minerais e siderúrgicas.
O próximo salto, em sua avaliação, passa por transformar essa experiência operacional em capacidade de desenvolver e exportar tecnologia e inovação.
A combinação entre conhecimento industrial, Inteligência Artificial, automação e drones mostra uma das possíveis rotas para essa transformação.
Mais do que substituir processos existentes, essas tecnologias começam a mudar a forma como inspeções, manutenção, segurança e tomada de decisões são realizadas dentro das operações industriais.
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