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Empresas do ES terão de rever escalas e custos com o fim da 6×1

Empresas do ES terão de rever escalas e custos com o fim da 6×1

Com a aprovação da PEC 221/2019 pelo Senado, o regime de 6×1 — seis dias de trabalho seguidos de um dia de descanso — foi extinto nas empresas do Espírito Santo. A nova norma estabelece que, após seis dias consecutivos de jornada, o empregado deve ter ao menos dois dias de repouso, alinhando a legislação brasileira aos padrões internacionais de saúde e segurança do trabalho. Para o setor metal-mechanic, siderúrgico, de automação, energia, mineração e petróleo, a mudança implica revisão imediata das escalas de produção e dos custos operacionais.

No contexto da metal-mechanic, a escala 6×1 era a base para manter linhas de corte, soldagem e montagem em regime quase contínuo, reduzindo a necessidade de mão de obra extra e otimizando a utilização de máquinas. A extinção desse modelo força as fábricas a reconfigurar a jornada em blocos de 4–5 dias, com intervalo de descanso mais curto, o que aumenta a incidência de horas extras e a necessidade de contratação de staff adicional para cobrir as horas de pico. A siderurgia, responsável por 1,2 % do PIB estadual, tem de recalibrar sua logística de produção para evitar gargalos.

Os impactos econômicos são significativos. Em 2023, a média de custo da hora de trabalho no setor industrial do ES era de R$ 35,00, e a nova regra prevê um aumento de até 12 % nos encargos trabalhistas, considerando horas extras e benefícios. Além disso, a necessidade de reorganizar turnos pode exigir investimento em equipamentos de automação, cujo custo médio de implantação varia entre R$ 500.000 e R$ 1 000.000, dependendo da complexidade do processo. Empresas que não investirem em tecnologia correm o risco de perder competitividade frente a concorrentes que já adotam sistemas de produção 24 h.

Dados do IBGE mostram que, antes da PEC, a média de horas trabalhadas nas indústrias do ES era de 40 h/semana, com 1 dia de descanso após seis dias de trabalho. Com a nova regra, a mesma média exigirá 20 % a mais de pessoal ou a reestruturação de turnos que aumente a eficiência. O setor de mineração, por exemplo, precisará reavaliar a operação de caminhões e trens de carga, pois o intervalo de descanso reduz a disponibilidade de operadores e aumenta a probabilidade de incidentes de segurança.

Para mitigar os efeitos, muitas empresas estão considerando a adoção de robótica colaborativa e sistemas de controle avançado que permitem a manutenção de linhas de produção contínua com menor intervenção humana. No entanto, a barreira de entrada pode ser alta, exigindo capital de giro e treinamento especializado. Em paralelo, o governo estadual pode oferecer incentivos fiscais para projetos de modernização, mas a burocracia ainda representa um desafio para a implementação rápida dessas soluções.

Em síntese, a extinção do regime 6×1 obriga as empresas do Espírito Santo a repensar suas escalas de trabalho, renegociar contratos e buscar alternativas tecnológicas. O prazo de adaptação é curto, e a capacidade de absorver custos adicionais determinará a competitividade do setor metal-mechanic e de suas cadeias de valor. A decisão de investir em automação versus contratação de mão de obra extra será o diferencial entre quem lidera o mercado e quem se vê pressionado por margens mais apertadas.

Fonte original

FFolha Vitória