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ESG Talks debate captação de recursos e estratégias sustentáveis para a indústria

ESG Talks debate captação de recursos e estratégias sustentáveis para a indústria

Na quinta‑feira (9/7), o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), realizou o ESG Talks – Caminhos para Recursos Sustentáveis, no P7 Criativo, em Belo Horizonte. O evento reuniu executivos de bancos, fundos de investimento e lideranças de grandes empresas dos setores metalúrgico, siderúrgico, de automação, energia, mineração e petróleo, com o objetivo de discutir a conversão do compromisso socioambiental em alavanca estratégica para captação de recursos e geração de valor. Para profissionais que atuam na cadeia produtiva, o encontro trouxe à tona a necessidade de alinhar as metas de ESG (Environmental, Social and Governance) às exigências de investidores cada vez mais criteriosos quanto à sustentabilidade.

Durante as mesas‑redondas, representantes de instituições financeiras destacaram que, em 2023, o volume de crédito destinado a projetos com certificação ESG no Brasil superou R$ 45 bilhões, um crescimento de 28 % em relação ao ano anterior. Essa tendência reflete a ampliação de linhas de financiamento vinculadas a indicadores de desempenho ambiental, como redução de emissões de CO₂, eficiência energética e gestão de resíduos. Para as indústrias metalúrgicas, que historicamente enfrentam desafios de intensivo consumo de energia e geração de resíduos, a adoção de métricas claras pode significar acesso a juros mais baixos e prazos mais favoráveis.

Os participantes também abordaram a importância de mecanismos de captação de recursos não tradicionais, como green bonds e sustainability-linked loans. O IEL apresentou um estudo interno que indica que empresas que emitiram green bonds nos últimos dois anos registraram, em média, 12 % de aumento na margem EBITDA, impulsionadas por ganhos de eficiência operacional e melhor reputação no mercado. No contexto brasileiro, a emissão de títulos verdes ainda representa menos de 1 % do total de dívida corporativa, mas o potencial de expansão é significativo, sobretudo para companhias que já possuem metas de redução de intensidade de carbono alinhadas ao Acordo de Paris.

Do ponto de vista regulatório, o Comitê de Política Monetária (COPOM) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) avançam com diretrizes que exigem divulgação de informações ESG em relatórios trimestrais. A nova Resolução CVM 50/2024, que entrou em vigor em março, impõe que empresas listadas apresentem métricas de desempenho ambiental auditadas por terceiros. Essa mudança impacta diretamente a avaliação de risco de crédito, já que agências de rating incorporam critérios ESG nas notas de crédito, influenciando o custo de capital das indústrias.

Para o setor de mineração, que responde por cerca de 8 % do PIB de Minas Gerais, a integração de práticas sustentáveis tem se mostrado um diferencial competitivo. Empresas que investem em tecnologias de reaproveitamento de água e em sistemas de monitoramento de impactos ambientais conseguem não apenas reduzir custos operacionais, mas também melhorar o relacionamento com comunidades locais, reduzindo riscos de interrupções operacionais. O evento destacou casos de sucesso, como a implantação de sistemas de energia solar em ferros-velho, que reduziu em 30 % o consumo de energia elétrica da planta.

Ao encerrar o ESG Talks, os organizadores reforçaram que a sustentabilidade deixa de ser um tópico isolado para se tornar um componente central da estratégia corporativa. Para os gestores industriais, isso significa repensar processos de produção, investir em tecnologia de captura de carbono e adotar práticas de governança que garantam transparência e responsabilidade. As perspectivas apontam para um cenário em que a capacidade de acessar recursos financeiros sustentáveis será um critério decisivo para a competitividade das empresas brasileiras no mercado global.

Fonte original

FFIEMG