Etapa da FIRST LEGO League

A Escola SESI Granbery, em Juiz de Fora, recebeu no último dia 7 de julho a etapa microrregional da FIRST LEGO League Challenge (FLL), competição que reúne mais de 30 mil equipes em mais de 100 países e que tem como objetivo promover a aprendizagem de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) por meio da robótica. Para o setor industrial brasileiro – especialmente as áreas de metalmecânica, automação e energia – o evento representa um termômetro importante da formação de futuros profissionais que, nos próximos anos, deverão conduzir a transição digital nas fábricas e nos complexos de produção. A presença de estudantes, familiares, educadores e representantes de empresas locais evidencia a crescente integração entre o meio acadêmico e o mercado de trabalho, um aspecto essencial para a competitividade da indústria nacional.
Durante a manhã, as equipes apresentaram projetos que combinavam a construção de robôs LEGO® com a resolução de desafios reais, como otimização de processos de produção, monitoramento de consumo energético e gestão de resíduos. Cada solução foi avaliada segundo critérios de inovação, viabilidade técnica e impacto socioambiental, alinhados às demandas de setores como siderurgia e mineração, que buscam reduzir custos operacionais e cumprir metas de sustentabilidade. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a adoção de tecnologias de automação avançada pode elevar a produtividade em até 20 % nas fábricas brasileiras até 2030, e a capacitação precoce desses jovens é vista como um alicerce para alcançar esse patamar.
O investimento da SESI na realização do microrregional também tem reflexos econômicos diretos. O evento atraiu cerca de 500 visitantes, gerando receita para o comércio local e fortalecendo a cadeia de fornecedores de materiais didáticos, componentes eletrônicos e softwares de programação. Além disso, a visibilidade nacional conferida pela cobertura da FIEMG pode atrair novos patrocínios de empresas do ramo de automação industrial, que enxergam na FLL um canal de recrutamento de talentos ainda em fase de formação. Em 2022, 12 % das vagas de estágio em engenharia de produção foram preenchidas por estudantes que participaram de competições de robótica, indicando um retorno concreto para as companhias que investem nesse tipo de iniciativa.
Para os profissionais do setor, a competição traz lições sobre metodologias ágeis e trabalho interdisciplinar, práticas que têm sido adotadas por fábricas inteligentes (smart factories) que utilizam a Internet das Coisas (IoT) e a análise de dados em tempo real. O desafio proposto pela FLL – que este ano abordou a temática “Energia Sustentável” – forçou as equipes a desenvolver protótipos capazes de monitorar e otimizar o consumo energético, um tema que ressoa diretamente com a meta da Associação Brasileira de Energia (ABRACE) de reduzir em 15 % o consumo industrial de eletricidade até 2035.
Do ponto de vista de políticas públicas, a realização do microrregional em Juiz de Fora reforça a estratégia do Ministério da Educação de ampliar a oferta de cursos técnicos e de aprendizagem baseada em projetos. O Programa Nacional de Inovação (PNI) prevê investimentos de R$ 1,2 bilhão até 2028 em laboratórios de robótica nas escolas públicas, o que pode multiplicar eventos como a FLL em todo o país. Essa expansão deve criar um ecossistema de inovação que favoreça a transferência de tecnologia entre universidades, centros de pesquisa e indústrias, reduzindo a dependência de tecnologia importada e aumentando a competitividade das empresas brasileiras no mercado global.
Olhar para o futuro, a perspectiva é de que a FIRST LEGO League continue a se consolidar como uma das principais fontes de talentos para a indústria 4.0. Analistas do setor apontam que, até 2027, cerca de 30 % das vagas de engenheiros de automação deverão ser ocupadas por profissionais que tenham participado de programas de robótica educacional durante o ensino fundamental e médio. Assim, eventos como o realizado na Escola SESI Granbery não são apenas uma celebração da criatividade juvenil, mas um investimento estratégico na base de conhecimento que sustentará a modernização da metalmecânica, da siderurgia e de outras cadeias produtivas brasileiras.
Fonte original
FFIEMG
