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Evento gratuito aborda LER/Dort em trabalhadores de logística de entrega

Evento gratuito aborda LER/Dort em trabalhadores de logística de entrega

A Fundação Centro de Estudos e Pesquisas da Indústria (Fundacentro) realizará, no próximo dia 26 de fevereiro, um evento gratuito em São Paulo – com transmissão online – dedicado à discussão das Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) em trabalhadores de empresas logísticas de entrega. O encontro reúne especialistas em ergonomia, representantes sindicais, gestores de frota e executivos de grandes operadores de e‑commerce, com o objetivo de mapear causas, custos e soluções para um problema que tem se intensificado com a expansão do comércio eletrônico no Brasil.

Nos últimos cinco anos, o volume de entregas expressas cresceu cerca de 35 % no país, segundo dados da Associação Brasileira de Logística (ABRALOG). Esse aumento pressionou as empresas a acelerar rotas, reduzir tempos de parada e otimizar o manuseio de mercadorias, fatores que elevam a incidência de LER/DORT entre motoboys, entregadores de vans e operadores de centros de distribuição. O Ministério da Saúde apontou que, em 2023, 18,7 % dos afastamentos temporários no setor de transporte e logística foram motivados por doenças osteomusculares, representando um acréscimo de 4,2 % em relação ao ano anterior.

Do ponto de vista econômico, o impacto das LER/DORT nas cadeias logísticas é significativo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o custo direto – incluindo despesas médicas, indenizações e substituição de mão‑de‑obra – ultrapassa R$ 4,3 bilhões ao ano. Quando se adicionam perdas de produtividade, atrasos nas entregas e a necessidade de horas extras para cobrir vagas temporárias, o prejuízo pode chegar a 1,2 % do PIB brasileiro, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre custos de saúde ocupacional. Para empresas que operam com margens estreitas, como as de entregas de última milha, esses números podem comprometer a viabilidade de modelos de negócios baseados em entregas ultrarrápidas.

O evento da Fundacentro traz à mesa pesquisas recentes sobre a eficácia de intervenções ergonômicas. Estudos de universidades brasileiras demonstram que a adoção de dispositivos de apoio para carregamento, treinamento em técnicas de levantamento e a implementação de pausas ativas podem reduzir em até 38 % a taxa de afastamentos por LER/DORT. Além disso, a digitalização de processos – como o uso de aplicativos que orientam a sequência de rotas para minimizar o número de paradas e o peso transportado por entrega – tem se mostrado uma ferramenta promissora para mitigar riscos ocupacionais.

Para os profissionais do setor, a discussão também aborda a necessidade de adequação às normas regulamentadoras (NR) 17 e 36, que tratam de ergonomia e segurança no trabalho com máquinas e equipamentos. A expectativa é que o evento gere um conjunto de recomendações que possam ser incorporadas aos planos de ação de compliance das empresas logísticas, contribuindo para a redução de passivos trabalhistas e para a melhoria da imagem corporativa perante investidores e consumidores cada vez mais atentos à responsabilidade social.

Perspectivas para os próximos anos apontam para uma consolidação das práticas preventivas como diferencial competitivo. Analistas de mercado preveem que operadores que adotarem tecnologias de monitoramento biomecânico e programas de bem‑estar ocupacional terão acesso facilitado a linhas de crédito verdes, já que instituições financeiras vêm vinculando taxas de juros a indicadores de saúde e segurança no trabalho. Dessa forma, o debate promovido pela Fundacentro pode não apenas reduzir o número de lesões, mas também abrir novas oportunidades de financiamento e expansão para o setor logístico brasileiro.

Fonte original

FFundacentro