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Evento gratuito da Fundacentro discute LER/Dort em trabalhadores de logística

Evento gratuito da Fundacentro discute LER/Dort em trabalhadores de logística

Na manhã de 26 de fevereiro, a Fundacentro realizou em São Paulo um evento gratuito que abordou as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) em profissionais de empresas logísticas de entrega. A iniciativa, transmitida simultaneamente ao vivo pela internet, reuniu especialistas em ergonomia, representantes de sindicatos, gestores de frotas e operadores de plataformas de e‑commerce, todos focados em discutir a crescente incidência de patologias musculoesqueléticas entre motoristas, carregadores e entregadores que atuam em ambientes de alta demanda e ritmo acelerado. Para o setor industrial, que depende de cadeias logísticas eficientes, o tema ganha relevância ao evidenciar custos ocultos que podem comprometer a competitividade e a sustentabilidade das operações.

Os dados apresentados durante a sessão revelam que, nos últimos três anos, a taxa de afastamento por LER/DORT nas empresas de entrega cresceu 27% no Brasil, segundo levantamento da Associação Brasileira de Logística (ABRALOG). Esse aumento supera a média nacional de 12% observada em outros segmentos industriais, como siderurgia e mineração, indicando que a pressão por entregas rápidas, intensificação de rotas e uso intensivo de dispositivos móveis para rastreamento estão exacerbando o risco de lesões. O custo direto do afastamento, calculado em torno de R$ 4,8 bilhões em 2023, inclui salários pagos durante o período de licença, despesas médicas e substituição de mão‑de‑obra, enquanto o custo indireto, como perda de produtividade e rotatividade, eleva a estimativa total para quase R$ 9 bilhões.

Em entrevista, a coordenadora de Saúde Ocupacional da Fundacentro, Dra. Renata Lemos, destacou que a maioria dos casos de LER/DORT está associada a posturas inadequadas ao manusear pacotes, à falta de pausas regulares e ao uso prolongado de smartphones para confirmação de entregas. “A ergonomia ainda é tratada como um diferencial e não como requisito básico nas linhas de frente da logística”, afirmou. Ela ressaltou ainda que a implementação de soluções de automação, como sistemas de assistência robótica para carregamento e descarregamento, pode reduzir em até 35% a incidência de lesões musculoesqueléticas, conforme estudo piloto conduzido em parceria com a empresa de tecnologia industrial RoboLog.

Para os gestores de frota, a mensagem foi clara: investir em treinamento ergonômico e em equipamentos ajustáveis pode gerar retorno financeiro significativo. A Fundacentro apontou que empresas que adotaram programas de prevenção reduziram o índice de afastamento em 18% no primeiro ano, gerando economia média de R$ 1,2 milhão por mil funcionários. Além disso, a adoção de tecnologias de telemetria avançada permite monitorar padrões de condução e identificar períodos de sobrecarga, facilitando intervenções preventivas antes que a lesão se consolide.

Do ponto de vista regulatório, o evento reforçou a necessidade de adequação às normas de segurança do trabalho, como a NR‑17, que estabelece requisitos de ergonomia para atividades que envolvem esforços repetitivos. A inspeção do Ministério do Trabalho tem intensificado fiscalizações em empresas de entrega expressa, e multas por não conformidade podem alcançar até 5% do faturamento anual da companhia, segundo dados da Receita Federal. Essa perspectiva pressiona as organizações a reverem contratos com parceiros logísticos e a exigirem comprovação de programas de prevenção como critério de qualificação.

O futuro do setor logístico brasileiro dependerá, em grande medida, da capacidade de integrar saúde ocupacional à estratégia de eficiência operacional. Analistas de mercado da consultoria IHS Markit projetam que, até 2028, a demanda por soluções de automação e ergonomia deverá crescer 14% ao ano, impulsionada tanto por exigências legislativas quanto por pressão competitiva de players internacionais que já adotam práticas avançadas de bem‑estar no trabalho. Assim, empresas que anteciparem investimentos em prevenção de LER/DORT estarão melhor posicionadas para reduzir custos, melhorar a retenção de talentos e atender às expectativas de clientes que cada vez mais priorizam responsabilidade social e sustentabilidade em suas cadeias de suprimentos.

Fonte original

FFundacentro