Exportação de petróleo do Brasil se aproxima de recorde em setembro, aponta Secex

Em uma divulgação recente da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os números de exportação de petróleo brasileiro apontam para um recorde em setembro, com as exportações por dia útil subindo 50% em relação ao mês completo de 2025. A tendência sugere que o país ultrapasse, pela primeira vez em quase duas décadas, a marca de 1,5 milhão de barris por dia, consolidando a posição do Brasil como um dos maiores exportadores de hidrocarbonetos da América Latina.
O crescimento se deve, em grande parte, à recuperação da demanda internacional em mercados asiáticos e europeus, bem como à expansão das operações de refinarias brasileiras que aumentam a capacidade de exportação de derivados. Em comparação ao mesmo período de 2024, o volume de exportação de petróleo bruto cresceu 12% e o de derivados 18%, refletindo a robustez da cadeia de produção e a eficiência logística das terminais de exportação.
Do ponto de vista econômico, o aumento das exportações gera um impacto direto no saldo comercial e na entrada de moeda estrangeira. A Receita Federal registrou um incremento de 8,3 bilhões de reais em receita de exportação apenas em setembro, o que representa 2,5% a mais do que o previsto na meta anual. Esse fluxo de caixa favorece o fortalecimento do real e pode reduzir a necessidade de financiamento externo para projetos de infraestrutura.
Para os setores industriais, especialmente metalmecânica, siderurgia e mineração, o efeito é duplo: por um lado, a redução de preços de energia e de matérias-primas devido à maior oferta de petróleo no mercado interno, e por outro, a possibilidade de reorientação de recursos para investimentos em automação e tecnologia de produção. Empresas como Gerdau e CSN já anunciaram planos de expansão de capacidade de produção de aço com foco em alta eficiência energética.
Os dados oficiais apontam que, em setembro, a exportação média diária de petróleo bruto atingiu 1,52 milhão de barris, enquanto os derivados chegaram a 1,03 milhão de barris. Esses números, se mantidos ao longo do mês, ultrapassariam em 10% a cifra histórica de 1,38 milhão de barris por dia registrada em 2019. A expectativa de continuidade do crescimento está apoiada pela política de preços internos e pela renegociação de contratos de exportação com parceiros estratégicos.
Com a previsão de manutenção das exportações em níveis recordes, analistas do mercado sugerem que o Brasil pode se posicionar como fornecedor preferencial de petróleo para a União Europeia, aproveitando a política de energia limpa e a necessidade de fontes alternativas. Entretanto, o aumento das exportações pode pressionar a oferta interna, exigindo ajustes nos preços de combustíveis e nos contratos de fornecimento de energia para indústrias de alto consumo. A Secex planeja monitorar a situação e ajustar as estratégias de promoção de exportações para equilibrar os interesses nacionais e globais.
Fonte original
IInfoMoney
