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FIEMG debate inovação, governança e eficiência nas contratações

FIEMG debate inovação, governança e eficiência nas contratações

A Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) realizou, nesta segunda‑feira (15), um painel intitulado “Inovação e os novos instrumentos de contratação da Lei nº 14.133/2021”, reunindo executivos da indústria, representantes do Sistema S e juristas especializados em Direito Administrativo. O encontro buscou analisar, sob a ótica prática, como os dispositivos da nova Lei de Licitações podem ser convertidos em ferramentas de ganho competitivo para o setor metalúrgico, siderúrgico, de automação e de energia, segmentos que historicamente dependem de processos de compra complexos e de grande volume. Para profissionais que lidam com suprimentos e projetos de capital, a discussão trouxe exemplos de uso de contratos de eficiência, alianças público‑privadas (APP) e regimes de contratação integrada, todos previstos na lei e ainda pouco explorados nas cadeias de valor industriais de Minas Gerais.

Entre os pontos destacados, esteve a necessidade de adoção de sistemas digitais de gestão de licitações, como o Comprasnet 5.0, que permite a tramitação eletrônica de documentos, redução de prazos e rastreabilidade de decisões. Dados da própria FIEMG apontam que, nos últimos dois anos, a adoção de plataformas eletrônicas gerou uma diminuição média de 18 % nos custos operacionais de compras em empresas de médio porte no estado, além de reduzir o tempo de ciclo de contratação de 90 para 45 dias. Essa eficiência é particularmente relevante para a indústria de mineração e petróleo, onde projetos de infraestrutura exigem aprovações rápidas e transparência para captação de recursos externos.

O debate também abordou a governança corporativa nas contratações, ressaltando que a Lei 14.133/2021 exige a implementação de planos de compliance e mecanismos de controle interno mais robustos. Segundo o especialista em direito administrativo que participou do painel, a incidência de penalidades por irregularidades em licitações caiu 23 % entre 2022 e 2024, reflexo direto da maior exigência de documentos de qualificação e da obrigatoriedade de relatórios de risco. Para as indústrias que operam com contratos de longo prazo, como fornecedores de equipamentos de automação e de serviços de manutenção de usinas, a aderência a esses requisitos pode significar menos litígios e maior segurança jurídica nas relações comerciais.

Do ponto de vista econômico, a adoção das novas práticas de contratação pode impactar positivamente o PIB industrial de Minas Gerais. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta que, até 2027, a modernização dos processos de compra pública e privada poderá gerar um incremento de R$ 4,2 bilhões em investimentos diretos no setor metalomecânico, impulsionado por maior previsibilidade de demanda e redução de custos de transação. Essa projeção se apoia na expectativa de que 35 % das grandes empresas de siderurgia do estado adotem contratos de eficiência energética, que permitem a remuneração baseada em resultados de consumo, alinhando-se às metas de descarbonização estabelecidas pelo Plano Nacional de Energia.

Para os participantes do painel, a inovação nas contratações não se resume a ferramentas tecnológicas, mas também a novos modelos de governança colaborativa entre empresas e governo. O conceito de “hub de inovação”, já testado em projetos piloto no Vale do Aço, envolve a criação de ambientes de co‑desenvolvimento onde startups de tecnologia industrial podem oferecer soluções de IoT, análise preditiva e manutenção preditiva para grandes contratos de obra. Essa abordagem pode acelerar a adoção de tecnologias de Indústria 4.0, reduzindo o tempo de retorno sobre investimento (payback) de projetos de automação de até 30 %.

Encerrando o debate, os representantes do Sistema S enfatizaram a importância de programas de capacitação continuada para gestores de compras e equipes de compliance. Segundo a Federação, mais de 1,200 profissionais já foram treinados em cursos sobre a Lei 14.133/2021, e a meta para 2025 é alcançar 3,000 profissionais certificados. Essa iniciativa visa suprir a demanda por conhecimento especializado, reduzindo a curva de aprendizado e permitindo que as empresas do segmento metalúrgico adotem as novas regras de forma mais ágil e segura. O panorama apresentado indica que a convergência entre inovação, governança e eficiência nas contratações será um diferencial competitivo decisivo para a indústria brasileira nos próximos anos.

Fonte original

FFIEMG