FIEMG e órgãos ambientais realizam 5º Seminário de Regularização Ambiental em Ipatinga

A FIEMG, em conjunto com as regionais Vale do Aço e Rio Doce, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e a Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA), realizou nesta quinta‑feira (11/6) o 5º Seminário de Regularização Ambiental, no auditório da própria federação em Ipatinga. O evento reuniu representantes de indústrias metalúrgicas, siderúrgicas, de mineração e de energia, além de autoridades ambientais, consultores e advogados especializados em licenciamento. O objetivo central foi apresentar as novas diretrizes do Plano de Regularização Ambiental (PRA) do estado de Minas Gerais e discutir estratégias práticas para que as empresas adequem suas operações às exigências legais, reduzindo riscos de multas e interrupções produtivas.
Para o setor metalmecânico, que concentra cerca de 15% do PIB industrial de Minas Gerais, a regularização ambiental tem se tornado um fator decisivo de competitividade. Segundo dados da FIEMG, mais de 2.300 estabelecimentos da cadeia produtiva ainda não concluíram o processo de adequação ao novo marco regulatório, o que representa um potencial de investimento de R$ 4,2 bilhões em tecnologias de controle de emissões, tratamento de efluentes e gestão de resíduos. O seminário destacou, entre os principais desafios, a necessidade de atualização de sistemas de monitoramento de poluentes atmosféricos e a implementação de programas de recuperação de áreas degradadas, exigidos pela Lei nº 14.127/2022.
Durante as palestras, o diretor da FEAM, Dr. Carlos Henrique de Souza, apontou que o ritmo de regularização nos últimos dois anos avançou apenas 28%, muito abaixo da meta estadual de 70% até 2025. Ele ressaltou que a falta de planejamento técnico e a carência de capital de giro são os principais entraves para as empresas de médio porte, que muitas vezes dependem de linhas de crédito específicas para investimentos ambientais. Em resposta, a RMVA anunciou a criação de um fundo de R$ 150 milhões, destinado a oferecer juros reduzidos e prazos estendidos para projetos de adequação ambiental nas indústrias do Vale do Aço.
Outro ponto crítico abordado foi o impacto da regularização sobre a cadeia de suprimentos. O gerente de compras da Usiminas, Marcelo Alves, informou que a empresa já está revisando seus contratos com fornecedores de aço laminado, exigindo certificados de conformidade ambiental e auditorias trimestrais. Essa iniciativa deve elevar o custo de matéria‑prima em torno de 3 a 5%, mas, segundo o executivo, garante maior segurança jurídica e reduz a exposição a sanções que podem interromper a produção.
Do ponto de vista econômico, analistas da B3 estimam que a conclusão do PRA pode gerar um efeito positivo de até 0,8% no índice de confiança industrial do estado, ao criar um ambiente de negócios mais previsível. Além disso, o aumento de investimentos em tecnologias de controle de poluição pode impulsionar o segmento de automação industrial, que fornece sensores, sistemas SCADA e soluções de IoT para monitoramento em tempo real. A expectativa é que o mercado de automação em Minas Gerais registre crescimento anual de 6,5% nos próximos quatro anos, impulsionado pela demanda das indústrias que buscam cumprir as normas ambientais.
Encerrando o seminário, representantes do IEF enfatizaram a importância da recuperação florestal nas áreas de mineração e siderurgia, destacando que o Programa de Reflorestamento de Áreas Degradadas (PRAD) prevê a plantação de 12 milhões de mudas nativas até 2030. O compromisso das empresas com essa iniciativa pode abrir portas para certificações internacionais, como a ISO 14001, ampliando o acesso a mercados externos que valorizam a sustentabilidade. O evento, que contou com a presença de mais de 350 participantes, sinaliza que a regularização ambiental está se consolidando como um elemento estratégico para a competitividade e a resiliência do setor industrial brasileiro.
Fonte original
FFIEMG