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FIEMG recebe cônsul econômica do Japão para discutir cooperação industrial

FIEMG recebe cônsul econômica do Japão para discutir cooperação industrial

A reunião entre a Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) e a cônsul econômica do Japão no Rio de Janeiro, Kayo Yoshida, realizada nesta quinta‑feira (18/6), marca um ponto de virada nas relações industriais entre Brasil e Japão. O encontro, conduzido pelo presidente do Conselho de Relações da FIEMG, teve como objetivo principal apresentar o panorama econômico de Minas Gerais, estado responsável por cerca de 30 % da produção industrial nacional, e identificar áreas de interesse mútuo, como metalmecânica avançada, siderurgia de alta performance, automação industrial e energias renováveis. Para executivos e gestores do setor, a visita representa uma oportunidade de alinhar estratégias de exportação e de atração de investimentos estrangeiros em um momento em que o Brasil busca diversificar suas fontes de capital e tecnologia.

Minas Gerais mantém uma cadeia produtiva robusta, com 1,2 milhão de empregados diretos na indústria metalúrgica e de máquinas, e um parque de mais de 3.800 empresas que movimentam aproximadamente R$ 140 bilhões ao ano. Dados do IBGE indicam que o estado responde por 15 % das exportações brasileiras de produtos siderúrgicos e 12 % das de equipamentos de automação. Nesse contexto, a presença da cônsul japonesa sinaliza a intenção de aprofundar a cooperação em projetos de alta tecnologia, como a implementação de sistemas de IoT (Internet das Coisas) nas linhas de produção e a adoção de processos de fundição a vácuo, áreas em que o Japão detém know‑how avançado.

Do lado japonês, o governo tem intensificado sua política de “J-Industrial Partnership”, que visa canalizar investimento direto estrangeiro (FDI) para setores estratégicos em economias emergentes. Em 2023, o Japão destinou US$ 9,4 bilhões em FDI para a América Latina, sendo 22 % desse volume direcionado ao segmento de máquinas e equipamentos. A expectativa da FIEMG é que a visita abra caminho para a criação de joint ventures entre empresas mineiras e corporações japonesas, facilitando a transferência de tecnologia de ponta, como robótica colaborativa e sistemas de controle preditivo, que podem elevar a produtividade média do setor em até 18 % nos próximos cinco anos.

Para o mercado de energia, a parceria tem potencial de impulsionar projetos de hidrogênio verde e de energia solar concentrada (CSP), áreas nas quais o Japão tem investido pesado em pesquisa e desenvolvimento. Minas Gerais, com seu extenso potencial hidroelétrico e abundância de recursos solares, pode servir como bancada de testes para tecnologias japonesas de eletrolisadores de alta eficiência. Segundo a ANEEL, a capacidade instalada de energia renovável no estado ultrapassa 5 GW, e a integração de soluções japonesas poderia acelerar a descarbonização da indústria pesada, reduzindo custos operacionais e atendendo às metas de sustentabilidade estabelecidas pela própria FIEMG.

O setor de mineração, outro pilar da economia mineira, também figura entre os tópicos prioritários. O Japão, que importa cerca de 30 % de seu minério de ferro, vê em Minas Gerais um fornecedor estratégico, sobretudo para minerais críticos como o nióbio e o grafite. A cooperação poderia envolver a implementação de sistemas de monitoramento em tempo real nas minas, utilizando sensores avançados desenvolvidos por empresas japonesas, o que aumentaria a segurança operacional e diminuiria o índice de perdas de produção em até 10 %.

Em termos de impacto econômico, analistas da B3 estimam que a materialização de acordos de cooperação pode gerar um incremento de R$ 12 bilhões ao PIB de Minas Gerais nos próximos três anos, impulsionado por novos projetos de capital, aumento das exportações e criação de cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos. Além disso, a presença de capital japonês tende a melhorar a balança comercial do estado, reduzindo a dependência de mercados tradicionais e ampliando o leque de destinos para produtos de alta complexidade.

As perspectivas para o futuro apontam para a consolidação de um ecossistema de inovação que una universidades, centros de pesquisa e indústrias locais com parceiros japoneses. A FIEMG já sinalizou a intenção de criar um “Japan‑Minas Hub”, um espaço dedicado à incubação de startups focadas em automação, inteligência artificial aplicada à produção e tecnologias limpas. Caso os diálogos evoluam para acordos formais, Minas Gerais pode se posicionar como um polo de excelência em manufatura avançada na América Latina, atraindo não apenas investimentos japoneses, mas também de outros players globais que buscam um ponto de entrada estratégico no continente.

Fonte original

FFIEMG