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FIEMG recebe embaixador de Ruanda para ampliar negócios

FIEMG recebe embaixador de Ruanda para ampliar negócios

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) recebeu, nesta quarta‑feira (17/6), o embaixador de Ruanda no Brasil, Lawrence Manzi, em um encontro que visa aprofundar laços institucionais e econômicos entre Minas Gerais e o país africano. A reunião, realizada nas dependências da FIEMG, contou com a presença de executivos de setores estratégicos como siderurgia, metalmecânica, energia e mineração, além de representantes de associações setoriais e de agências de fomento. O objetivo central foi mapear oportunidades de cooperação que possam alavancar a produção de bens de capital e a exportação de tecnologia industrial brasileira para Ruanda, um mercado em rápida expansão e que tem buscado diversificar suas fontes de investimento.

Ruanda, com um PIB de US$ 13,3 bilhões em 2023 e uma taxa média de crescimento anual de 6,5% nos últimos cinco anos, tem investido intensamente em infraestrutura, energia renovável e desenvolvimento de parques industriais. O país está implementando o “Vision 2050”, plano nacional que prioriza a industrialização e a atração de parceiros estrangeiros em áreas como aço de alta resistência, máquinas-ferramenta e automação de processos. Para Minas Gerais, cuja produção industrial representa cerca de 30% do PIB estadual e gera mais de 1,2 milhão de empregos diretos, a abertura de um canal de negócios com Ruanda representa um potencial aumento nas exportações de produtos metalúrgicos e serviços de engenharia, que atualmente somam US$ 1,8 bilhão em comércio bilateral com a África.

Os representantes da FIEMG destacaram que o estado já possui expertise consolidada em siderurgia de alta qualidade, com empresas como a Gerdau e a Usiminas liderando a produção de aços especiais que atendem a setores de energia e mineração. Além disso, o polo de automação industrial de Minas, apoiado por centros de pesquisa como o CENPES e o CENEM, tem desenvolvido soluções de IoT e controle avançado que podem ser adaptadas às necessidades de usinas hidrelétricas e projetos de energia solar em Ruanda. Essa sinergia tecnológica pode gerar contratos de fornecimento e prestação de serviços, ampliando a participação de empresas mineiras em projetos de infraestrutura africana, que estima-se ultrapassar US$ 5 bilhões até 2030.

Do ponto de vista econômico, a ampliação das relações comerciais com Ruanda pode trazer benefícios fiscais e de financiamento para as indústrias de Minas Gerais. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já sinalizou interesse em criar linhas de crédito específicas para exportadores de bens de capital destinados a mercados africanos, com taxas de juros reduzidas e prazos estendidos. Segundo dados da FIEMG, a participação das exportações de equipamentos industriais no total das exportações mineiras cresceu 12% ao ano entre 2019 e 2023, indicando que a abertura de novos mercados como Ruanda pode acelerar essa tendência e melhorar a balança comercial do estado.

Especialistas do setor apontam que a cooperação também pode se estender à capacitação de mão‑de‑obra ruandesa, por meio de programas de treinamento técnico e intercâmbio de profissionais. Projetos de “train‑the‑trainer” em usinagem CNC, soldagem avançada e manutenção preditiva podem ser desenvolvidos em parceria com institutos de ensino técnico de Minas Gerais, como o SENAI-MG, gerando receitas de serviços de formação e fortalecendo a reputação do estado como referência em qualificação industrial. Essa estratégia de transferência de conhecimento tem potencial de criar uma cadeia de suprimentos regional, onde componentes fabricados em Minas podem ser integrados a linhas de montagem em Ruanda, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade dos produtos finais.

Olhar para o futuro, analistas de mercado projetam que, se as negociações avançarem conforme o cronograma estabelecido – com a assinatura de memorandos de entendimento ainda no segundo semestre de 2026 – as exportações de bens de capital de Minas Gerais para Ruanda podem alcançar US$ 150 milhões até 2028, representando um crescimento de aproximadamente 8% ao ano em relação ao volume atual. Essa perspectiva traz um cenário otimista para o setor industrial mineiro, que busca diversificar destinos de exportação frente a instabilidades no mercado tradicional europeu e norte‑americano. A visita do embaixador Lawrence Manzi, portanto, marca um ponto de partida estratégico para consolidar a presença de Minas Gerais no mapa de investimentos e comércio da África Oriental.

Fonte original

FFIEMG