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FIEMG recebe ministro de Québec para reforçar cooperação internacional em investimentos e

FIEMG recebe ministro de Québec para reforçar cooperação internacional em investimentos e

A reunião realizada nesta sexta‑feira (12/06) na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) contou com a presença de Christopher Skeete, ministro de Relações Internacionais e da Francofonia de Québec, e de membros da delegação governamental da província canadense. O encontro dá sequência à missão empresarial promovida pela FIEMG ao Canadá em maio, que já havia aberto portas para diálogos sobre tecnologia de mineração, energia limpa e automação industrial. Para os executivos e investidores do setor metalúrgico brasileiro, a visita representa uma oportunidade concreta de alavancar projetos de exploração de minerais críticos, como lítio e cobalto, que são essenciais para a cadeia de suprimentos de baterias e veículos elétricos.

Durante a reunião, foram apresentados números que reforçam a atratividade do Brasil para capital estrangeiro. Segundo dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), o fluxo de investimento direto estrangeiro (IDE) em mineração cresceu 18% em 2023, alcançando US$ 3,2 bilhões, dos quais 27% vieram de investidores canadenses. O governo de Québec, que detém mais de 40% das reservas de níquel e cobre no Canadá, mostrou interesse em joint ventures com empresas mineiras de Minas Gerais, visando a transferência de tecnologia de processamento de minério de alta pureza e a implementação de sistemas de monitoramento em tempo real baseados em IA.

Para o segmento de siderurgia, a parceria pode significar acesso a tecnologias de redução de carbono desenvolvidas em Quebec, como o uso de hidrogênio verde na produção de aço. Estudos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) indicam que a adoção de hidrogênio pode reduzir em até 30% as emissões de CO₂ nas usinas brasileiras, trazendo ganhos competitivos nos mercados europeu e norte‑americano, onde a regulação ambiental tem se tornado mais rígida. A FIEMG pretende articular projetos-piloto com a Hydro‑Québec, que já lidera iniciativas de eletrólise em larga escala.

Do ponto de vista econômico, a ampliação da cooperação internacional pode gerar um efeito multiplicador significativo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cada US$ 1 bilhão investido em mineração e metalurgia pode criar cerca de 12 mil empregos diretos e indiretos nas regiões produtoras, além de impulsionar a cadeia de suprimentos local – de transportes a serviços de manutenção de equipamentos. A expectativa da FIEMG é que os acordos firmados com Québec resultem em pelo menos US$ 500 milhões em novos projetos até 2028, o que representaria um aumento de 15% na produção de concentrados de cobre e ouro em Minas Gerais.

A agenda da visita incluiu ainda discussões sobre a criação de um “hub de inovação” binacional, que reunirá centros de pesquisa de universidades de Minas Gerais e do Canadá para desenvolver soluções em automação de processos, digital twins e monitoramento de integridade estrutural de barragens. O investimento em tecnologia de ponta é visto como essencial para melhorar a segurança operacional, reduzir custos de manutenção e atender às exigências cada vez mais rigorosas de compliance ambiental e social, requisitos críticos para a obtenção de financiamentos internacionais.

Especialistas do setor apontam que a consolidação dessa parceria pode posicionar o Brasil como um player estratégico no fornecimento de minerais críticos para a transição energética global. A demanda mundial por lítio, por exemplo, deve crescer 20% ao ano até 2030, segundo a International Energy Agency (IEA). A aliança com Québec, que possui expertise em exploração de depósitos de lítio em ambientes de clima frio, pode acelerar a abertura de novas áreas de mineração em Minas Gerais, reduzindo o tempo de desenvolvimento de projetos de cinco para duas anos, em média.

Em síntese, o encontro entre a FIEMG e o ministro de Québec reforça a tendência de internacionalização dos investimentos no setor metalúrgico brasileiro, ao mesmo tempo em que abre caminhos para a modernização tecnológica e a descarbonização da produção. À medida que os acordos avançam, empresas de mineração, siderurgia e automação deverão monitorar de perto as oportunidades de joint ventures, financiamento verde e transferência de know‑how, que podem definir a competitividade do Brasil nos próximos dez anos.

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FFIEMG
FIEMG recebe ministro de Québec para reforçar cooperação internacional em investimentos e | Portal Metalmecânica