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Fim da escala 6×1 pode elevar custos das empresas capixabas em até R$ 4,5 bilhões

Fim da escala 6×1 pode elevar custos das empresas capixabas em até R$ 4,5 bilhões

O fim da escala 6×1, que permitia aos empregadores distribuir a jornada de trabalho em seis dias consecutivos seguidos por um dia de descanso, tem o potencial de elevar em até R$ 4,5 bilhões os custos operacionais das empresas do Espírito Santo, de acordo com o último alerta da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes). A medida, prevista nas recentes alterações da legislação trabalhista estadual, implica a necessidade de reestruturação dos contratos de trabalho, com maior incidência de horas extras, pagamento de adicionais noturnos e ajustes na remuneração variável.

Para os setores metalúrgicos, siderúrgicos e de automação, a mudança representa um impacto direto na margem de lucro, pois esses segmentos dependem intensamente de produção contínua e de mão‑de‑obra altamente qualificada. A estimativa de R$ 4,5 bilhões corresponde a mais de 3,2 % do faturamento médio anual das 1.200 empresas industriais do estado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tal aumento pode levar a reajustes nos preços de commodities metálicas, afetando a competitividade das exportações capixabas em mercados internacionais.

Além do custo direto com salários, a readequação das jornadas implicará em maiores despesas com encargos sociais, como INSS, FGTS e benefícios trabalhistas, que variam entre 20 % e 30 % do valor bruto. A carga tributária também pode ser impactada, pois a Receita Federal já prevê a possibilidade de revisão de alíquotas de contribuição para empresas que alterarem significativamente sua estrutura de mão‑de‑obra. Em setores de energia, mineração e petróleo, onde a produção é altamente automatizada, a necessidade de reforçar equipes de manutenção e operação pode gerar sobrecarga de trabalho e riscos de acidentes, exigindo investimentos adicionais em segurança do trabalho.

A Findes destaca que a solução não está apenas na imposição de novos regulamentos, mas na negociação coletiva entre empregadores e empregados. A federação propõe a criação de convenções coletivas que contemplem escalas híbridas, como 6×2 ou 5×1, acompanhadas de incentivos fiscais e programas de produtividade. O objetivo é equilibrar a necessidade de manter a competitividade industrial com a proteção dos direitos trabalhistas, evitando cortes de postos de trabalho ou a migração de produção para outros estados com regimes mais flexíveis.

Os impactos econômicos também se estendem à cadeia de suprimentos regional. Fornecedores de componentes, serviços de logística e de manutenção podem sofrer variações de demanda, exigindo ajustes na capacidade produtiva e na estrutura de custos. A expectativa de um aumento de 7,5 % nos preços de insumos metálicos nos próximos 12 meses foi confirmada por analistas de mercado, refletindo a pressão inflacionária gerada pela elevação dos custos trabalhistas.

Em vista desse cenário, os gestores industriais são convidados a revisar seus planos de investimento, priorizando iniciativas de automação, otimização de processos e capacitação de colaboradores. A adoção de tecnologias de inteligência artificial e de sistemas de monitoramento em tempo real pode compensar parcialmente o aumento de despesa, mantendo a produtividade e a qualidade dos produtos. A Findes mantém um canal de diálogo aberto com sindicatos e associações empresariais, buscando acordos que garantam a sustentabilidade do setor metalúrgico capixaba no contexto de uma economia cada vez mais globalizada e competitiva.

Fonte original

FFolha Vitória