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Findes alerta sobre custos com fim da escala 6x1 e redução de jornada

Findes alerta sobre custos com fim da escala 6x1 e redução de jornada

A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) emitiu um alerta sobre os potenciais impactos econômicos decorrentes da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que visa reduzir a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas e extinguir a escala 6x1. Em comunicado oficial, o presidente da entidade, Paulo Baraona, ressaltou a necessidade de um equilíbrio entre o aprimoramento das condições de vida dos trabalhadores e a salvaguarda dos empregos, da eficiência produtiva e da competitividade das empresas do setor industrial. A proposta, se aprovada em sua forma atual, pode gerar um rearranjo significativo na dinâmica operacional e nos custos de produção em diversas cade areas da economia brasileira, com especial atenção para os setores que dependem intensivamente de mão de obra.

O setor metalmecânico, assim como a siderurgia, mineração e automação, enfrenta um cenário de custos já pressionados por fatores como a flutuação do câmbio, a instabilidade nos preços das commodities e a necessidade de investimentos em tecnologia. A redução da jornada de trabalho sem uma contrapartida em produtividade ou a otimização dos processos pode implicar em custos adicionais consideráveis. Segundo um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), citado pela Findes, o aumento dos custos com mão de obra formal no Espírito Santo, especificamente, está estimado entre R$ 3 bilhões e R$ 5 bilhões. Este valor, embora focado em um estado específico, sinaliza a magnitude do desafio em nível nacional para indústrias de todos os portes.

O fim da escala 6x1, que permite a operação contínua em muitos segmentos industriais, como a produção siderúrgica e de bens de consumo, levanta preocupações sobre a logística e a continuidade das linhas de produção. A necessidade de dobrar turnos ou contratar mais pessoal para cobrir os horários e manter o mesmo volume de produção implicaria em um aumento direto nos encargos trabalhistas e previdenciários. Para o setor de energia e petróleo, que opera 24 horas por dia, sete dias por semana, a adaptação a novas escalas pode requerer reestruturações complexas e vultosos investimentos em contratação e treinamento, impactando a eficiência energética e a disponibilidade de serviços essenciais.

Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a indústria brasileira tem buscado incessantemente a eficiência operacional, com o aumento da automação e a adoção de novas tecnologias. No entanto, a mão de obra qualificada ainda é um componente crucial em muitas etapas produtivas. A potencial elevação dos custos com pessoal, estimada em bilhões de reais a nível nacional caso os valores do Espírito Santo sejam extrapolados, pode retrair investimentos em expansão e modernização, comprometendo a capacidade de competir em mercados internacionais cada vez mais exigentes e sensíveis a preços.

As perspectivas de mercado para os próximos anos indicam uma busca por maior sustentabilidade e competitividade. Setores como o de energias renováveis e a indústria automotiva, com foco em veículos elétricos e autônomos, demandam altos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, além de uma força de trabalho altamente especializada. A PEC 221/2019, ao impor um aumento potencial de custos, pode desviar recursos que seriam aplicados em inovação e qualificação, ou mesmo dificultar a atração de investimentos estrangeiros que buscam um ambiente de negócios estável e com custos previsíveis.

Diante deste cenário, a Findes, em consonância com outras federações industriais e a CNI, defende um diálogo aprofundado entre governo, empregadores e trabalhadores para encontrar soluções que harmonizem os objetivos sociais com a viabilidade econômica e a sustentabilidade do parque industrial brasileiro. A proposta de redução da jornada, embora possa trazer benefícios diretos para os trabalhadores em termos de bem-estar, requer uma análise minuciosa dos seus desdobramentos econômicos, especialmente no que tange à produtividade e à capacidade de geração de empregos qualificados e bem remunerados a longo prazo.

Fonte original

TTribuna Online