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FINDES lança Atlas Portuário do ES na Modal Expo

FINDES lança Atlas Portuário do ES na Modal Expo

A Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES) deu início à divulgação do Atlas Portuário do ES nesta terça‑feira (16), evento inserido na programação da Modal Expo 2026, que se estende até quinta‑feira (18) no Pavilhão de Carapina, na Serra. O Atlas, fruto de um estudo conduzido pelo Observatório FINDES, reúne indicadores de performance, capacidade de carga, infraestrutura e competitividade dos portos capixabas, oferecendo um panorama detalhado para operadores logísticos, indústrias de base e investidores do setor de transportes. A apresentação oficial, realizada diante de representantes de companhias de siderurgia, metalmecânica, energia e mineração, tem como objetivo tornar públicos dados que, até então, estavam dispersos em relatórios setoriais e documentos internos.

O documento revela que a movimentação total de cargas nos portos do Espírito Santo alcançou 84,3 milhões de toneladas em 2025, um aumento de 7,2 % em relação ao ano anterior. Destes, 42 % correspondem a granéis sólidos – minério de ferro, carvão e fertilizantes – enquanto 35 % são cargas de contêineres, impulsionadas principalmente pela exportação de peças metalúrgicas e componentes automotivos produzidos nas cadeias de valor local. O crescimento da carga de contêineres reflete a expansão das linhas de montagem de automóveis e a ampliação das instalações de usinas de energia renovável, que demandam equipamentos de grande porte e aço de alta qualidade.

Do ponto de vista econômico, o Atlas aponta que o porto de Vitória mantém a liderança em volume, com 48 % da movimentação total, mas que o porto de Vila Velha registrou a maior taxa de crescimento (12,5 % em 2025). Essa performance é atribuída a investimentos recentes em dragagem, expansão de berços e à implantação de sistemas de automação portuária que reduziram o tempo médio de atracação de 18 para 12 horas. Para a indústria metalmecânica, a melhoria na eficiência portuária significa redução de custos logísticos, estimada em cerca de R$ 420 milhões anuais, o que pode melhorar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

O estudo também destaca desafios críticos: a necessidade de ampliar a profundidade dos canais de acesso, que ainda limitam a entrada de navios de grande porte, e a necessidade de integrar sistemas de gestão de tráfego (VTS) com plataformas digitais de rastreamento de carga. Segundo o Observatório FINDES, a falta de investimentos em infraestrutura de armazenagem de granéis líquidos pode representar um gargalo para o setor de energia, que planeja aumentar a exportação de etanol e biodiesel em até 15 % nos próximos três anos.

Em termos de perspectiva de mercado, analistas do setor apontam que a consolidação dos dados do Atlas Portuário do ES deve atrair novos projetos de expansão de terminais privados, especialmente de empresas de mineração e siderurgia que buscam reduzir a dependência de portos de outros estados. A expectativa é que, até 2030, a participação do Espírito Santo nas exportações de minério de ferro supere 5 % do total nacional, impulsionada pela modernização dos terminais de carga seca e pela adoção de tecnologias de carregamento automatizado.

O lançamento do Atlas ocorre em um momento de intensas discussões sobre a política tarifária portuária e a necessidade de alinhamento com os planos de desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Siderurgia Nacional. A FINDES indica que os dados divulgados servirão de base para negociações com o Governo Federal sobre a revisão de tarifas de navegação e para a elaboração de incentivos fiscais direcionados a projetos de automação e sustentabilidade ambiental nos terminais portuários.

Para os profissionais da metalmecânica, siderurgia, energia e mineração, o Atlas Portuário do ES representa um recurso estratégico que permite avaliar rotas de exportação, estimar custos operacionais e planejar investimentos em infraestrutura de produção. A disponibilidade de indicadores consolidados, como taxa de ocupação dos berços, tempo de espera e custos de armazenagem, deve facilitar a tomada de decisão e fomentar a competitividade das cadeias produtivas capixabas no cenário global.

Fonte original

FFINDES