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Fundacentro ajuda a atualizar Código de Práticas da OIT para SST Florestal

Fundacentro ajuda a atualizar Código de Práticas da OIT para SST Florestal

A iniciativa liderada pelo Fundacentro, em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), trouxe à tona a atualização do Código de Práticas sobre Segurança e Saúde no Trabalho (SST) para o setor florestal. O evento híbrido, realizado no estado do Paraná, reuniu representantes de sindicatos, empresas de grande porte, órgãos reguladores e especialistas em engenharia de segurança, proporcionando um espaço de debate sobre as novas diretrizes que substituem a versão de 2011. Para os profissionais da metalmecânica, siderurgia, automação e energia, a relevância do código se estende além das fronteiras da cadeia florestal, pois muitas dessas indústrias dependem de matérias‑primas provenientes de áreas de manejo florestal, como madeira para estruturas metálicas, biomassa para geração de energia e fibras para compósitos avançados.

Entre as principais mudanças, destaca‑se a ampliação da responsabilidade dos empregadores na implementação de sistemas de gestão integrados de risco, alinhados às normas ISO 45001 e ISO 50001. A atualização exige a adoção de indicadores de desempenho (KPIs) específicos, como taxa de incidentes graves (TRI) e índice de exposição a agentes biológicos, que deverão ser reportados trimestralmente a órgãos fiscalizadores. Essa exigência traz um impacto econômico direto: empresas que ainda operam com sistemas de gestão fragmentados podem enfrentar custos adicionais de adequação estimados entre 0,5 % e 1,2 % do faturamento anual, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para o segmento de transformação de madeira.

Para o setor de mineração e petróleo, a atualização do código tem implicações estratégicas, já que a logística de transporte de minério e produtos químicos frequentemente utiliza rodovias que cruzam áreas de preservação florestal. A nova normativa impõe requisitos mais rigorosos para a avaliação de risco ambiental e a implementação de planos de contingência em caso de acidentes que possam comprometer a integridade de ecossistemas sensíveis. Estudos da Agência Nacional de Mineração (ANM) apontam que a adoção plena das diretrizes pode reduzir em até 15 % a frequência de incidentes de derramamento, gerando economia de cerca de R$ 250 milhões anuais em multas e custos de remediação.

Do ponto de vista macroeconômico, a atualização do Código de Práticas da OIT coincide com a agenda de descarbonização da economia brasileira, prevista no Plano Nacional de Recuperação e Resiliência (PNRR). A integração de práticas de SST com metas de redução de emissões cria sinergias que favorecem investimentos em tecnologias de automação avançada, como sensores IoT para monitoramento em tempo real de condições de trabalho em áreas remotas. Segundo a Associação Brasileira de Automação (ABRA), a demanda por soluções de monitoramento inteligente deve crescer 18 % ao ano até 2030, impulsionada pela necessidade de compliance com as novas exigências regulatórias.

Os participantes do evento ressaltaram que a efetividade do código depende da capacitação contínua dos profissionais de linha de frente. Nesse sentido, o Fundacentro anunciou a criação de um programa de certificação nacional, com módulos presenciais e on‑line, que contemplará mais de 5 mil trabalhadores nos próximos dois anos. O investimento em treinamento é visto como um fator de mitigação de custos operacionais, já que a literatura especializada indica que cada trabalhador treinado pode reduzir em média 0,3 acidentes por milhão de horas trabalhadas, resultando em economia de aproximadamente R$ 12 mil por incidente evitado.

Em síntese, a atualização do Código de Práticas da OIT sobre SST florestal representa um marco regulatório que transcende o setor florestal e impacta diretamente a cadeia produtiva da metalmecânica e de indústrias correlatas. A adoção tempestiva das novas diretrizes, aliada ao investimento em tecnologia e capacitação, pode transformar o desafio regulatório em uma oportunidade de ganho de eficiência, redução de custos com sinistros e fortalecimento da competitividade internacional do Brasil. O caminho traçado pelo Fundacentro e pela OIT indica que a convergência entre segurança, saúde e sustentabilidade será o pilar central das estratégias de crescimento nos próximos anos.

Fonte original

FFundacentro