Fundacentro e IFSP abrem segunda chamada para pós-graduação em SST e Democracia

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fundacentro), em parceria com o Instituto Federal de São Paulo (IFSP), lançou nesta segunda-feira a segunda chamada para a pós-graduação em Segurança e Saúde no Trabalho (SST) com enfoque em Democracia, destinada a profissionais que atuam em setores intensivos de capital e mão‑de‑obra, como metalmecânica, siderurgia, mineração, energia e petróleo. A iniciativa visa suprir a crescente demanda por gestores qualificados capazes de integrar práticas de segurança ocupacional a políticas de governança corporativa e participação democrática dos trabalhadores, alinhando-se às exigências cada vez mais rigorosas da Norma Regulamentadora NR‑9 e das diretrizes de ESG (Environmental, Social and Governance) adotadas pelas maiores corporações do país.
De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Metalúrgica (ABRAMET), o índice de acidentes de trabalho no segmento metalúrgico ainda apresenta taxa de 7,8 ocorrências por mil trabalhadores, acima da média nacional de 5,6. Essa disparidade evidencia a necessidade de capacitar engenheiros, técnicos e gestores em metodologias avançadas de prevenção, análise de risco e cultura de segurança participativa. A nova turma, com início previsto para março de 2024, contará com 120 vagas, das quais 70% são reservadas para profissionais já inseridos no mercado, enquanto 30% destinam‑se a recém‑formados que buscam especialização antes de ingressar no setor.
O processo de matrícula, que se realizará exclusivamente pela plataforma gov.br entre os dias 19 e 22 de janeiro, segue a política de simplificação de procedimentos administrativos do governo federal, reduzindo em até 35% o tempo de formalização em comparação ao modelo anterior. A escolha da plataforma também garante maior transparência e rastreabilidade, requisitos essenciais para auditorias internas e externas, sobretudo em empresas que operam sob contratos de concessão e licitações públicas, onde a comprovação de qualificação dos recursos humanos é frequentemente exigida.
Do ponto de vista econômico, a capacitação avançada em SST tem demonstrado retorno sobre investimento (ROI) significativo. Estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que cada R$ 1 investido em treinamento de segurança gera uma economia de aproximadamente R$ 4,5 em custos indiretos, como afastamentos, indenizações e perda de produtividade. Para o setor metalmecânico, que movimentou R$ 220 bilhões em 2023, a adoção de práticas aprimoradas pode representar um ganho potencial de até R$ 1 bilhão ao ano, considerando a redução de incidentes e a melhora na eficiência operacional.
Além do aspecto técnico, o enfoque em “Democracia” traz à tona a importância da participação ativa dos trabalhadores nas decisões relacionadas à segurança, um elemento central nas recentes reformas trabalhistas e nas normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A integração de comissões internas de prevenção de acidentes (CIPAs) com representantes sindicais, respaldada por treinamentos específicos, tem se mostrado eficaz na diminuição de 12% dos índices de gravidade de acidentes nas empresas que adotam esse modelo, conforme levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).
Especialistas do setor apontam que a segunda chamada da pós‑graduação surge em um momento crítico, já que a retomada da produção industrial pós‑pandemia está sendo acompanhada por um rígido escrutínio regulatório e por investidores que exigem compliance em todas as áreas, inclusive em SST. A expectativa é que, ao final do programa, os participantes estejam aptos a conduzir auditorias internas, elaborar planos de ação corretiva e implementar sistemas de gestão de segurança alinhados aos padrões ISO 45001, contribuindo para a competitividade das empresas brasileiras no mercado global.
Fonte original
FFundacentro