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Fundacentro lança diretrizes para aplicar NR-1 com foco em riscos psicossociais

Fundacentro lança diretrizes para aplicar NR-1 com foco em riscos psicossociais

A nova redação da Norma Regulamentadora NR‑1, divulgada pelo Fundacentro em 26 de maio, traz pela primeira vez diretrizes específicas para a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Essa mudança representa um marco regulatório para indústrias de grande porte — como siderúrgicas, metalúrgicas, de mineração e energia — que historicamente focavam em riscos físicos e químicos, mas têm visto crescente incidência de afastamentos por questões de saúde mental. Segundo dados da Associação Nacional de Saúde Ocupacional (ANSO), os afastamentos por transtornos mentais cresceram 42% nos últimos quatro anos, representando cerca de 12% das licenças médicas no setor industrial brasileiro.

Para os gestores de segurança e recursos humanos, as orientações disponibilizadas na biblioteca digital do Fundacentro detalham procedimentos de identificação, avaliação e monitoramento de fatores como carga de trabalho excessiva, falta de controle sobre as atividades, ambiente hostil e desequilíbrio entre demandas e recursos. A norma recomenda a implantação de comitês internos de saúde mental, a realização de pesquisas de clima organizacional a cada 12 meses e a integração de indicadores de bem‑estar nos sistemas de gestão ISO 45001. Essa abordagem sistêmica visa reduzir o turnover, que nas empresas de metalurgias pesadas chegou a 18% em 2023, e melhorar a produtividade, já que estudos internos da própria Fundacentro apontam que equipes com baixo nível de estresse apresentam até 7% mais eficiência operacional.

Do ponto de vista econômico, a adoção precoce das diretrizes pode gerar economia direta e indireta. O custo médio de um afastamento por transtorno mental no Brasil gira em torno de R$ 35 mil, sem contar os impactos na produção e na reputação da empresa. A estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que a implementação de políticas de saúde mental pode reduzir esses custos em até 30% nos próximos três anos, representando uma potencial economia de R$ 1,8 bilhão para o setor metalúrgico nacional.

O Fundacentro destaca ainda que a norma NR‑1 passa a exigir a documentação formal de programas de prevenção de riscos psicossociais, com auditorias internas semestrais e relatórios anuais a serem apresentados ao Ministério do Trabalho. As empresas que já possuem políticas de bem‑estar, como a Usiminas e a Vale, deverão alinhar seus planos às novas exigências, sob pena de multas que podem chegar a 0,5% do faturamento anual, conforme previsto na Portaria 3.214/78 revisada.

Especialistas do Instituto de Estudos de Segurança do Trabalho (IEST) apontam que a mudança pode acelerar a digitalização dos processos de gestão de saúde ocupacional. Ferramentas de análise de dados e plataformas de monitoramento de bem‑estar já são citadas como facilitadoras para cumprir a periodicidade de avaliações exigidas. Além disso, a integração com sistemas ERP permite cruzar indicadores de produção com métricas de saúde mental, oferecendo ao executivo industrial uma visão mais completa dos custos operacionais.

Com a norma em vigor, a expectativa é que o mercado de consultoria e treinamento em saúde psicossocial experimente um crescimento de 15% ao ano, impulsionado pela demanda de grandes grupos industriais que precisam adequar seus procedimentos internos. Empresas de tecnologia focadas em soluções de RH, como a Senior Sistemas, já anunciaram planos de expansão de módulos específicos para compliance com a NR‑1, o que pode representar novos investimentos de até R$ 250 milhões no segmento de software de gestão de pessoas até 2028.

Em síntese, a inclusão dos riscos psicossociais na NR‑1 traz um novo patamar de responsabilidade para o setor industrial brasileiro. A adequação às diretrizes do Fundacentro não só garante conformidade legal, como também abre caminho para ganhos de produtividade, redução de custos com afastamentos e fortalecimento da imagem corporativa em um mercado cada vez mais sensível à saúde mental dos trabalhadores.

Fonte original

FFundacentro