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Gestão algorítmica e insegurança nas plataformas digitais aumentam riscos à saúde ocupacio

Gestão algorítmica e insegurança nas plataformas digitais aumentam riscos à saúde ocupacio

A recente publicação da Fundacentro na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional traz à tona um fenômeno que tem se intensificado no Brasil: a gestão algorítmica de trabalhadores em plataformas digitais, como aplicativos de entrega, transporte e serviços de manutenção industrial. Para os profissionais da metalmecânica, siderurgia, automação e demais segmentos industriais, a adoção de modelos de trabalho baseados em algoritmos representa tanto uma oportunidade de flexibilização quanto um risco crescente de insegurança laboral, com repercussões diretas na saúde física e mental dos operários. O estudo destaca que a falta de transparência nos critérios de alocação de tarefas, a pressão por desempenho em tempo real e a ausência de garantias trabalhistas configuram um ambiente propício ao surgimento de lesões ocupacionais, fadiga crônica e transtornos psicológicos, como ansiedade e depressão.

Do ponto de vista econômico, a precarização do vínculo empregatício nas plataformas digitais pode gerar custos ocultos para a indústria. Segundo dados da Associação Nacional de Empresas de Tecnologia (ANET), o turnover de trabalhadores submetidos a regimes de gestão algorítmica aumentou 27% nos últimos dois anos, refletindo em maiores despesas com recrutamento, treinamento e absenteísmo. Além disso, a incidência de acidentes de trabalho reportados à Previdência Social cresceu 14% no setor de transporte de cargas e 9% em serviços de manutenção de equipamentos industriais, indicando que a pressão por entregas rápidas e a falta de pausas adequadas têm impactos mensuráveis na produtividade e nos resultados financeiros das empresas.

Para os gestores de fábricas e usinas, a integração de plataformas digitais no agendamento de manutenção preventiva ou na contratação de mão de obra temporária exige cautela. Embora o uso de algoritmos possa otimizar a alocação de recursos e reduzir o tempo de inatividade de máquinas, a ausência de supervisão humana na verificação de condições de trabalho pode elevar o risco de falhas operacionais. Estudos internos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) apontam que projetos piloto de manutenção assistida por IA, quando combinados com trabalhadores em regime de gig, apresentaram 18% mais incidentes de segurança em comparação com equipes tradicionais, reforçando a necessidade de políticas claras de responsabilidade e monitoramento.

Do ponto de vista regulatório, a notícia chega em um momento crítico para a discussão sobre a Lei dos Trabalhadores de Plataforma, ainda em tramitação no Congresso Nacional. A proposta visa garantir direitos básicos, como jornada mínima, descanso remunerado e cobertura de seguro saúde, a trabalhadores que atuam por meio de aplicativos. Caso aprovada, a legislação pode representar um custo adicional para as plataformas digitais, mas também criar um ambiente de competição mais equilibrado, incentivando a adoção de práticas de gestão de risco mais robustas e a implementação de programas de prevenção de doenças ocupacionais.

Os especialistas em saúde ocupacional alertam que a mitigação dos efeitos adversos da gestão algorítmica requer uma abordagem multidisciplinar. Programas de ergonomia digital, monitoramento de indicadores de saúde mental e a criação de canais de comunicação direta entre trabalhadores e gestores são medidas apontadas como essenciais. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sugerem que investimentos em bem‑estar ocupacional podem gerar retorno de até 4,5 vezes o valor gasto, ao reduzir afastamentos e melhorar o engajamento da força de trabalho.

Em termos de perspectiva de mercado, a tendência é que a digitalização continue avançando, especialmente com a expansão da Indústria 4.0 no Brasil. Contudo, a integração de plataformas digitais deve ser acompanhada de estruturas de governança que assegurem a saúde e a segurança dos trabalhadores. Empresas que adotarem modelos híbridos, combinando algoritmos de otimização com supervisão humana e políticas de proteção ao trabalhador, tendem a obter vantagem competitiva, atraindo talentos qualificados e reduzindo custos associados a acidentes e doenças ocupacionais.

Fonte original

FFundacentro