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Gustavo Tristão aponta transformação na engenharia e diz que modelo de venda de horas está em extinção

Gustavo Tristão aponta transformação na engenharia e diz que modelo de venda de horas está em extinção

CEO global do Grupo Ignel fala sobre engenharia consultiva, inteligência artificial, expansão internacional e aposta de R$ 3 milhões anuais em inovação

O mercado de engenharia vive uma transformação que deve alterar não apenas as tecnologias utilizadas nos projetos, mas também a maneira como os serviços são contratados. Para Gustavo Tristão, CEO global do Grupo Ignel, o tradicional modelo baseado na venda de horas de profissionais tende a perder espaço para contratos focados na entrega de soluções, produtividade, qualidade e valor agregado.

O executivo abordou o assunto em entrevista conduzida por Giuliano Giberni, CEO da BID2B, em uma conversa sobre os desafios e as transformações que estão redesenhando o setor.

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Engenharia representa pequena parcela do investimento, mas pode definir o resultado

Um dos pontos defendidos por Tristão é a importância da engenharia consultiva desde as etapas iniciais dos projetos.

Segundo o executivo, esse trabalho pode representar aproximadamente 3% a 8% do custo total de um ativo, mas tentar economizar justamente nessa fase pode aumentar significativamente os riscos ao longo do empreendimento.

Planejamento insuficiente pode gerar problemas durante a execução, necessidade de aditivos contratuais e impactos posteriores na operação e manutenção do ativo. A análise, portanto, não deve considerar apenas o investimento inicial, mas todo o ciclo de vida do projeto.

Grupo combina governança internacional e capacidade brasileira de adaptação

Com atuação em mercados como Espanha, Portugal, Panamá e Brasil, o Grupo Ignel também enfrenta o desafio de construir uma cultura empresarial capaz de funcionar em diferentes países.

Tristão destaca a combinação de uma governança com influência europeia e características que considera fortes nas equipes brasileiras, como velocidade, criatividade e capacidade de adaptação.

A tecnologia exerce papel central nessa integração. Ferramentas digitais permitem que equipes localizadas no Brasil participem e prestem serviços para projetos desenvolvidos na Europa e na América Central.

Venda de horas perde espaço para entrega de soluções

Outra transformação destacada pelo CEO está nos modelos de contratação da engenharia.

Na avaliação de Tristão, a simples comercialização de horas ou disponibilização de profissionais tende a se tornar cada vez mais uma commodity. O diferencial competitivo passa a estar na capacidade das empresas de entregar um produto ou solução com qualidade, eficiência e resultados mensuráveis.

Essa mudança exige das companhias uma estrutura mais orientada à tecnologia, gestão de projetos, inovação e desenvolvimento de pessoas.

Inteligência Artificial pode multiplicar produtividade

A Inteligência Artificial e a automação já fazem parte dessa estratégia.

Segundo Tristão, a aplicação dessas tecnologias em determinados processos internos tem potencial para elevar em até cinco vezes a produtividade das equipes, liberando profissionais de atividades repetitivas e permitindo maior concentração em tarefas de maior valor agregado.

O avanço tecnológico também está sendo acompanhado por investimento financeiro. O grupo prevê destinar cerca de R$ 3 milhões por ano para inovação nos próximos anos, com o objetivo de aumentar a eficiência e preservar sua competitividade em um mercado em rápida transformação.

A visão apresentada por Gustavo Tristão aponta para uma engenharia cada vez menos baseada apenas na quantidade de profissionais mobilizados e mais orientada à capacidade de resolver problemas, utilizar tecnologia e entregar resultados concretos aos clientes.

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