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Inovação impulsiona competitividade na indústria mineira

Inovação impulsiona competitividade na indústria mineira

A reunião do Conselho de Tecnologia e Inovação da Indústria da FIEMG, realizada em 25 de junho na sede da federação em Belo Horizonte, reforçou a importância da inovação como alavanca de competitividade para o setor industrial brasileiro, sobretudo para a cadeia de mineração que responde por cerca de 12 % do PIB nacional. O debate, conduzido por representantes de grandes mineradoras, associações setoriais e centros de pesquisa, girou em torno do novo edital Compete Minas 2026, que destina R$ 1,2 bilhão em recursos não reembolsáveis para projetos que integrem automação, digitalização e tecnologias de baixo carbono. O edital, que deve abrir inscrições em setembro, prevê linhas específicas para soluções de monitoramento em tempo real de processos de britagem, moagem e beneficiamento, áreas críticas para a redução de perdas operacionais e aumento da margem de lucro.

Para os profissionais de engenharia e gestão de operações, o edital traz um sinal claro de que o Estado mineiro está disposto a financiar a transição tecnológica das empresas que ainda dependem de processos legacy. Segundo dados da FIEMG, apenas 38 % das mineradoras de médio porte utilizam sistemas de controle avançado (SCADA) integrados a plataformas de análise preditiva. A meta do Compete Minas 2026 é elevar esse número para 65 % até 2030, o que pode gerar um ganho de produtividade estimado em 7 a 10 % nas etapas de extração e beneficiamento, segundo estudo interno da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Além do Compete Minas, o Conselho analisou o programa IEL Pro Portadores de Inovação, que visa apoiar startups e spin‑offs de universidades com soluções aplicáveis ao setor. O programa oferece até R$ 5 milhões em capital semente, além de mentoria técnica e acesso a laboratórios de teste em parceria com a Vale e a CSN. Essa iniciativa é particularmente relevante para o ecossistema de automação industrial, onde a integração de sensores IoT, inteligência artificial e robótica colaborativa ainda está em fase incipiente, mas tem potencial para transformar a manutenção preditiva e reduzir o tempo de parada não planejada em até 30 %.

Do ponto de vista econômico, a expectativa é que a adoção acelerada dessas tecnologias impulsione a competitividade das minas brasileiras no mercado internacional, que tem exigido cada vez mais padrões de sustentabilidade e rastreabilidade. O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) projeta que a exportação de minério de ferro poderá crescer 4,5 % ao ano até 2032, desde que as empresas consigam melhorar sua eficiência energética. A substituição de equipamentos convencionais por soluções de alta eficiência, financiadas pelos programas da FIEMG, pode reduzir o consumo de energia elétrica em até 15 % nas unidades de processamento, contribuindo para o cumprimento das metas de descarbonização estabelecidas pelo Acordo de Paris.

Para os gestores financeiros, a disponibilidade de recursos públicos e privados cria oportunidades de estruturação de projetos de capital (CAPEX) com menores custos de financiamento. Bancos de desenvolvimento, como o BNDES, já sinalizaram linhas de crédito com juros abaixo de 6 % ao ano para projetos vinculados ao Compete Minas 2026, o que deve melhorar a taxa interna de retorno (TIR) dos investimentos em automação. Analistas do mercado de capitais apontam que empresas que adotarem tecnologias de monitoramento avançado terão valuation até 12 % superior em comparações de múltiplos de EBITDA, refletindo a percepção de menor risco operacional.

O Conselho de Tecnologia e Inovação da FIEMG encerrou a reunião com a definição de uma agenda de acompanhamento semestral, que incluirá indicadores de implantação de projetos, geração de empregos qualificados e redução de emissões de CO₂. A expectativa é que, ao final de 2026, o número de patentes registradas por empresas do setor de mineração em Minas Gerais aumente em 35 % em relação a 2022, reforçando a posição do estado como polo de inovação industrial no Brasil. Essa trajetória deverá servir de modelo para outras regiões mineradoras, como Pará e Mato Grosso do Sul, que também buscam alinhar crescimento econômico com responsabilidade ambiental.

Fonte original

FFIEMG