Instituições e sociedade debatem promoção e prevenção à saúde na economia solidária

A recente reunião entre atores institucionais e sociais, promovida pela Fundacentro, trouxe à tona a necessidade de integrar as políticas de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) ao segmento da economia solidária, que reúne cooperativas, associações e empreendimentos autogeridos. Para o setor industrial brasileiro, historicamente marcado por altos índices de acidentes de trabalho, a inclusão desses coletivos representa um avanço significativo na ampliação da cobertura normativa, que até então se concentrava em grandes empresas formadas sob a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O debate destacou que, embora a economia solidária contribua com cerca de 5% do PIB nacional e empregue mais de 7 milhões de pessoas, ainda carece de mecanismos específicos para garantir o direito fundamental à saúde ocupacional.
Do ponto de vista econômico, a adoção de práticas preventivas pode gerar ganhos de produtividade e redução de custos operacionais. Estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que setores como metalmecânica e siderurgia, que já apresentam índices de afastamento superior a 7% ao ano, poderiam reduzir em até 15% esses números com a implementação de programas de SST adaptados à realidade das cooperativas. Essa diminuição de ausências por doença ou acidente traduz-se em menor rotatividade de mão de obra qualificada, menor necessidade de contratação de temporários e, consequentemente, em aumento da competitividade no mercado interno e de exportação.
Para os gestores de fábricas, usinas e minas que mantêm relações com fornecedores da economia solidária, a nova perspectiva implica a revisão de critérios de qualificação de parceiros. A exigência de certificações de SST, como a ISO 45001, pode passar a ser um requisito contratual, estimulando as cooperativas a investir em treinamento, equipamentos de proteção individual (EPIs) e na formalização de protocolos de risco. Essa mudança também abre espaço para o desenvolvimento de soluções de automação voltadas à prevenção, como sensores de monitoramento de condições ambientais e sistemas de alerta em tempo real, que já vêm sendo adotados por grandes indústrias para reduzir incidentes.
O setor de energia e mineração, que depende de cadeias de suprimentos robustas, tem particular interesse na padronização das práticas de saúde ocupacional. A adoção de normas unificadas pode facilitar auditorias e inspeções, reduzindo a burocracia e permitindo que projetos de expansão, como a instalação de novas usinas e a exploração de jazidas, avancem com maior segurança jurídica. Além disso, a integração de políticas de SST à economia solidária pode atrair investimentos de fundos de desenvolvimento sustentável, que cada vez mais vinculam a liberação de recursos ao cumprimento de metas de saúde e segurança.
Do ponto de vista social, a promoção da saúde na economia solidária reforça o compromisso com a dignidade do trabalhador e com a justiça distributiva. Ao garantir o acesso a cuidados preventivos e a ambientes de trabalho seguros, fortalece-se a coesão das comunidades que dependem desses empreendimentos, reduzindo a vulnerabilidade a doenças ocupacionais como lesões por esforços repetitivos (LER/DORT) e doenças respiratórias. Esse aspecto é particularmente relevante para as regiões Norte e Nordeste, onde a economia solidária tem maior presença e onde os índices de informalidade ainda comprometem a efetividade das políticas públicas de saúde.
Perspectivas para os próximos anos indicam que o diálogo entre governo, Fundacentro e representantes da economia solidária deve culminar na elaboração de normativas específicas, possivelmente inseridas no Programa Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (PNSS). A expectativa é que, até 2028, pelo menos 30% das cooperativas do setor industrial estejam certificadas em normas internacionais de SST, impulsionando um ambiente de negócios mais resiliente e alinhado às exigências de mercados globais que valorizam a responsabilidade social corporativa. Para os profissionais da metalmecânica, siderurgia, automação e energia, acompanhar essa agenda será crucial para garantir a competitividade e a sustentabilidade de suas operações.
Fonte original
FFundacentro