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Mercosul e Japão podem iniciar negociações de acordo comercial em junho

Mercosul e Japão podem iniciar negociações de acordo comercial em junho

O bloqueio de negociações comerciais entre o Mercosul e o Japão, que se arrasta desde 2019, deve ser reaberto em junho, conforme fontes da imprensa especializada. A perspectiva de retomar as conversas tem sido recebida com otimismo pelos executivos da cadeia produtiva brasileira, que veem no acordo a possibilidade de ampliar o acesso a insumos críticos, reduzir tarifas de exportação e abrir novos canais de distribuição para produtos de alto valor agregado, como aço de alta resistência, componentes automotivos avançados e equipamentos de automação industrial. A reativação do diálogo ocorre num momento em que o bloco sul‑americano busca diversificar seus parceiros externos, reduzindo a dependência de mercados tradicionais como a União Europeia e a China.

Para o setor de metalmecânica, a retomada das negociações pode significar a redução de tarifas sobre aço bruto e perfis laminados, que atualmente chegam a 12% nas exportações para o Japão. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), a diminuição desse encargo poderia gerar um aumento de até 8% nas exportações brasileiras de máquinas-ferramenta e equipamentos de automação, representando cerca de US$ 1,2 bilhão em receitas adicionais ao longo dos próximos dois anos. Além disso, a possibilidade de importação de tecnologias japonesas em robótica e controle avançado, com menores barreiras tarifárias, pode acelerar a modernização das fábricas brasileiras, elevando a produtividade média do setor de 30% para 38% até 2028.

Do ponto de vista macroeconômico, o acordo comercial Mercosul‑Japão tem potencial para impulsionar a balança comercial brasileira, que registra déficit de US$ 12,5 bilhões com o Japão, principalmente devido à importação de componentes eletrônicos e equipamentos de precisão. Uma redução de tarifas e a abertura de cotas tarifárias para produtos siderúrgicos e de metalurgia avançada podem reverter esse cenário, projetando um superavit comercial de US$ 2,3 bilhões já em 2025, segundo estimativas do Ministério da Economia. O incremento nas exportações também deve gerar efeitos multiplicadores na geração de empregos, com projeções de criação de 45 mil postos diretos nas indústrias de transformação e montagem, além de milhares de vagas indiretas nas cadeias de suprimentos.

Entretanto, a concretização do acordo enfrenta desafios políticos e regulatórios. No Brasil, o Congresso ainda deve aprovar ajustes nas normas de origem e nos mecanismos de salvaguarda que garantam a competitividade da produção nacional frente a importações de bens de consumo de alta tecnologia. No Japão, a pressão de setores agrícolas e de defesa, que temem concorrência desleal, pode atrasar a liberalização completa. A experiência anterior, quando o acordo foi bloqueado em 2020 por questões de política industrial e de proteção ambiental, indica que as negociações exigirão concessões mútuas, sobretudo em temas como normas de sustentabilidade e práticas laborais.

Para as empresas de mineração e energia, a reabertura das conversas abre a porta para acordos de fornecimento de minério de ferro, cobre e carvão térmico a preços mais competitivos, fortalecendo a cadeia de produção de aço e de geração de energia. O Japão, que tem buscado garantir suprimentos de matérias‑primas estratégicas, pode se tornar um parceiro de longo prazo, oferecendo financiamento de projetos de infraestrutura e tecnologia de captura de carbono, alinhados com a agenda de descarbonização da indústria brasileira. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), investimentos de até US$ 3 bilhões em projetos de energia limpa e eficiência industrial podem ser viabilizados mediante acordos comerciais mais amplos.

Analistas de mercado apontam que, caso o acordo seja assinado até o final de 2024, o efeito de “cascata” nas cadeias de valor poderá elevar o PIB do setor industrial brasileiro em 0,7 ponto percentual, impulsionando a competitividade internacional. A expectativa é de que, nos próximos cinco anos, as exportações de bens industriais do Mercosul ao Japão cresçam a uma taxa média anual de 6,5%, superando a média histórica de 3,2% observada nas últimas duas décadas. Essa dinâmica reforça a necessidade de que empresas brasileiras invistam em certificações de qualidade e em processos de inovação aberta, para atender às exigências técnicas do mercado japonês, que valoriza padrões rígidos de confiabilidade e eficiência.

Fonte original

EExame