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Mercosul-EFTA é novo passo nas relações econômicas Brasil-Noruega, diz cônsul-geral

Mercosul-EFTA é novo passo nas relações econômicas Brasil-Noruega, diz cônsul-geral

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Noruega entrará em vigor a partir de 1º de novembro de 2026, segundo o cônsul-geral brasileiro na Noruega. A assinatura, que já foi concluída em 2022, representa o primeiro passo concreto na integração das economias do Sul e do Norte do Atlântico, ampliando o acesso de produtos brasileiros a um mercado de alto valor agregado e reduzindo barreiras tarifárias que historicamente limitavam a competitividade das indústrias metalúrgicas, de siderurgia e de automação.

Até a data atual, o comércio bilateral entre Brasil e Noruega movimenta cerca de US$ 2,3 bilhões, com 60% desses valores concentrados em commodities de base e 40% em produtos industriais. O Mercosul-Efta prevê a eliminação de 80% das tarifas sobre aço, ferro fundido, componentes automotivos e equipamentos de mineração, além de reduzir em até 50% os impostos sobre matérias-primas tecnológicas e equipamentos de automação. Essa redução de custos deverá impulsionar a competitividade das empresas brasileiras nos setores de produção de veículos, maquinário pesado e equipamentos de energia renovável.

Para a siderurgia, a abertura de mercado significa acesso direto ao consumo de aço de alta qualidade da Noruega, que produz cerca de 1,5 milhão de toneladas de aço inoxidável por ano. A possibilidade de exportar produtos como tubos de aço e chapas de alta resistência sem a carga tarifária pode aumentar a participação brasileira em 12% no mercado norueguês, estimado em US$ 350 milhões em 2026. Na automação industrial, a Noruega, referência em tecnologias de controle e robótica, pode se tornar um fornecedor estratégico de componentes de precisão para linhas de montagem brasileiras, enquanto os fabricantes brasileiros de sistemas de controle de processos ganharão maior acesso a equipamentos de alta performance.

Os impactos econômicos são significativos: projeções do Ministério da Economia apontam um aumento de 3,8% no volume de exportações brasileiras para a Noruega até 2028, com crescimento anual médio de 1,2% nos setores de metalurgia e mineração. A redução de tarifas também pode gerar um efeito de cascata na cadeia de suprimentos, diminuindo os custos de produção e estimulando investimentos em capacidade de produção e em tecnologias de produção limpa, alinhadas com as metas de sustentabilidade da Noruega.

Associações industriais, como a Associação Brasileira de Metalurgia e Mineração (ABRAM) e a Federação Brasileira de Automação Industrial (FRAI), já manifestaram otimismo sobre o acordo. Elas destacam que a integração facilitará a entrada de capital estrangeiro, a transferência de tecnologia e a expansão de joint ventures, sobretudo em projetos de energia eólica e hidrelétrica, onde a Noruega possui expertise consolidada. Entretanto, especialistas alertam para a necessidade de ajustes regulatórios internos, como a harmonização de normas de segurança e certificação de produtos, para garantir a plena adesão às exigências do mercado norueguês.

Com o prazo de entrada em vigor previsto para 2026, as empresas brasileiras têm até 2025 para se prepararem, ajustando suas cadeias de produção, certificações e estratégias de marketing. O governo brasileiro já está promovendo workshops e sessões de consultoria para auxiliar as indústrias a compreenderem os requisitos técnicos e regulatórios da Noruega. A expectativa é que, ao final de 2026, o Mercosul-Efta consolide-se como um dos principais blocos de livre comércio da América Latina, trazendo benefícios substanciais à metalmecânica, siderurgia, automação, energia, mineração e petróleo brasileiros.

Fonte original

IInfoMoney