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Minério de ferro recua 0,85% na Dalian por fraqueza nas vendas de imóveis chinesas

Minério de ferro recua 0,85% na Dalian por fraqueza nas vendas de imóveis chinesas

O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) recuou 0,85% nesta manhã, reflexo direto dos últimos indicadores de vendas de imóveis na China, maior consumidor global do metal. Para executivos da cadeia de suprimentos da siderurgia brasileira, o movimento sinaliza um possível desaquecimento da demanda externa, que pode reverberar nas exportações nacionais, especialmente nas regiões de Minas Gerais e Pará, responsáveis por cerca de 90% da produção de concentrado de ferro do país.

Segundo dados da National Bureau of Statistics (NBS) chinês, as vendas de imóveis caíram 6,2% no último trimestre, o maior recuo em mais de uma década. O setor imobiliário chinês absorve aproximadamente 30% da produção mundial de minério de ferro, e a desaceleração afeta não apenas os preços à vista, mas também os contratos futuros, que são referência para as negociações de exportadores brasileiros. A queda de 0,85% no DCE equivale a cerca de US$ 2,3 por tonelada, ou R$ 12,50, representando um ajuste de quase 1,5% no preço FOB de Minas Gerais nas últimas quatro semanas.

Para a indústria nacional, o impacto econômico pode se manifestar em duas frentes. Primeiro, a redução dos preços pode melhorar a margem de competitividade das siderúrgicas que ainda dependem de importações de pellet e sinter, reduzindo custos de produção e mitigando a pressão inflacionária sobre o preço final do aço. Segundo, a queda de receitas nas exportações pode comprometer o superávit da balança comercial de commodities, que registrou US$ 31 bilhões em 2023, impulsionado em grande parte pelas exportações de minério de ferro. Analistas da B3 estimam que, se a tendência chinesa se mantiver, o volume exportado pelo Brasil pode recuar até 4% no próximo semestre, equivalente a cerca de 12 milhões de toneladas.

Entretanto, o cenário interno oferece contrapesos. O programa de incentivos ao investimento em infraestrutura, anunciado pelo governo federal, prevê a liberação de R$ 120 bilhões em obras de transporte e energia até 2027, demandando aproximadamente 8 milhões de toneladas de ferro por ano. Além disso, a retomada da produção de aço nas usinas de siderurgia verde, que utilizam hidrogênio como redutor, pode gerar demanda adicional de minério de ferro de alta qualidade, beneficiando minas que investiram em tecnologias de beneficiamento avançado.

Do ponto de vista de mercado, a volatilidade recente reforça a importância de estratégias de hedge para exportadores. As corretoras apontam que a volatilidade implícita nos contratos de DCE está acima de 25%, indicando que os participantes estão dispostos a pagar prêmios maiores por proteção contra movimentos bruscos. Operadores que mantêm posições abertas em contratos futuros de julho e setembro podem mitigar perdas caso a demanda chinesa continue fraca, ao passo que aqueles que apostam em uma recuperação rápida podem aproveitar spreads mais amplos.

Olhar para o futuro próximo exige atenção aos indicadores macroeconômicos chineses, como o índice de confiança do setor manufatureiro (PMI) e as políticas de crédito habitacional. Caso o governo chinês implemente estímulos adicionais ao mercado imobiliário, a demanda por minério de ferro pode se reverter em poucos meses, gerando um rebote de preços semelhante ao observado em 2021. Enquanto isso, os produtores brasileiros precisam equilibrar a pressão por preços mais baixos com a necessidade de manter investimentos em capacidade produtiva e sustentabilidade, fundamentais para garantir participação no mercado global de ferro, que segue evoluindo rumo a padrões de baixa emissão de carbono.

Fonte original

IInfoMoney