Mostra de design evidencia força da indústria moveleira de Minas Gerais
Entre 11 e 14 de junho, o Mercado de Origem, em Belo Horizonte, sediará a Mostra de Design – Móvel Mineiro, iniciativa do Sindimov-MG que reúne indústrias de móveis, designers, arquitetos e startups de tecnologia. O evento representa a primeira grande vitrine de integração entre produção metalmecânica, madeira e automação no estado, trazendo à tona a capacidade de adaptação da cadeia produtiva mineira frente à demanda por soluções sustentáveis e customizadas. Para os executivos de siderurgia e usinagem, a mostra oferece um panorama de como processos de corte a laser, dobramento de chapas e montagem modular podem ser incorporados à fabricação de mobiliário, reduzindo desperdícios e ampliando a oferta de produtos de alta complexidade.
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Móveis (ABIMÓVEL) apontam que Minas Gerais responde por 22% da produção nacional de móveis, com um faturamento de R$ 7,8 bilhões em 2023. Desse total, cerca de 35% provém de peças que exigem componentes metalúrgicos, como ferragens, estruturas de alumínio e sistemas de automação. A Mostra de Design – Móvel Mineiro, ao reunir 150 expositores e mais de 30 projetos de pesquisa aplicada, pode impulsionar um aumento de 5% a 7% nas vendas de componentes metalmecânicos nos próximos dois anos, conforme projeções da FIEMG.
Um dos focos da programação será a apresentação de soluções de manufatura avançada, como a impressão 3D de peças metálicas e o uso de robôs colaborativos (cobots) na montagem de móveis. Empresas de automação industrial de Minas, como a WEG e a Ternium, já anunciaram parcerias com designers locais para desenvolver linhas de produtos que combinam estética contemporânea e eficiência produtiva. Essas iniciativas são relevantes para o setor de energia, pois a integração de motores de alta eficiência e sistemas de controle inteligente reduz o consumo energético das fábricas, alinhando-se às metas de descarbonização previstas no Plano Nacional de Eficiência Energética.
Do ponto de vista econômico, a mostra tem potencial de atrair investimentos externos. Segundo a FIESP, investidores estrangeiros demonstram interesse crescente em cadeias de valor que unem madeira de reflorestamento certificado e componentes metálicos de baixa emissão de carbono. A expectativa é que, ao final do evento, pelo menos 12 acordos de joint venture sejam firmados, totalizando um aporte de aproximadamente R$ 250 milhões, o que pode gerar cerca de 1.800 empregos diretos e indiretos na região metropolitana de BH.
Para os profissionais de mineração, a demanda por minérios de ferro e alumínio pode ser impulsionada pela necessidade de matéria-prima para perfis estruturais e peças fundidas. A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) já sinalizou a intenção de ampliar a oferta de minério de ferro de alta qualidade para a siderurgia local, garantindo a competitividade dos preços frente a importações. Esse movimento pode contribuir para a estabilização dos custos de produção, que atualmente apresentam variação de 8% a 12% ao ano, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O panorama futuro indica que a convergência entre design, metalmecânica e automação será decisiva para a consolidação da indústria moveleira mineira como referência global. Estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam que empresas que adotam tecnologias de Indústria 4.0 apresentam crescimento de receita 15% superior à média do setor. Assim, a Mostra de Design – Móvel Mineiro não apenas celebra a criatividade local, mas também funciona como catalisador de investimentos, inovação tecnológica e competitividade internacional, reforçando a posição de Minas Gerais como polo estratégico na cadeia produtiva brasileira.
Fonte original
FFIEMG