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'Mundo paralelo': quando sonhar acordado deixa de ser saudável

'Mundo paralelo': quando sonhar acordado deixa de ser saudável

O alerta sobre o fenômeno conhecido como “sonhar acordado” ou daydreaming excessivo ganha força no cenário corporativo, sobretudo entre profissionais da metalomecânica, siderurgia, automação e energia, onde a exigência por alta performance e foco contínuo é rotina. Estudos recentes apontam que a prática descontrolada de devaneios pode comprometer a atenção, reduzir a eficiência operacional e elevar o risco de falhas em processos críticos, como o controle de máquinas CNC, a inspeção de soldas ou a monitoração de sistemas de energia. Para executivos e gestores, reconhecer o limite entre criatividade saudável e distração prejudicial torna‑se imprescindível para manter a competitividade das plantas industriais.

De acordo com a pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) citada pela Exame, cerca de 27% dos trabalhadores brasileiros relatam episódios frequentes de devaneio prolongado durante a jornada. No setor de metalurgia, onde a margem de erro pode custar milhares de reais em retrabalho ou paradas não programadas, esse índice representa um potencial de perdas que pode chegar a R$ 3,5 bilhões anuais, considerando o custo médio de uma hora parada em linhas de produção. Empresas que investem em programas de bem‑estar e atenção plena (mindfulness) conseguem reduzir em até 15% esses impactos, traduzindo-se em ganhos de produtividade e menores índices de acidentes de trabalho.

Do ponto de vista econômico, o aumento de casos de sonhar acordado está ligado a fatores como a pressão por metas agressivas, jornadas extensas e a cultura de “always‑on” promovida pelas tecnologias digitais. No segmento de mineração, por exemplo, operadores de equipamentos de grande porte que sofrem distrações podem gerar falhas de segurança com consequências ambientais e financeiras graves. A Associação Brasileira de Mineração (ABRAMIN) estima que interrupções provocadas por falhas humanas representam 12% dos custos operacionais, um número que pode ser mitigado com intervenções focadas em saúde mental.

Para o setor de petróleo e gás, onde a precisão no monitoramento de processos de refino e transporte é vital, a fadiga cognitiva decorrente de devaneios pode comprometer a tomada de decisão em centros de controle. A Petrobras, em parceria com consultorias de psicologia organizacional, tem implementado treinamentos de atenção sustentada que já mostraram redução de 9% em incidentes operacionais nas plataformas offshore. Esses resultados reforçam a necessidade de políticas corporativas que equilibrem estímulo à criatividade – essencial para inovação em automação e desenvolvimento de novos materiais – com mecanismos de controle de atenção.

Do ponto de vista regulatório, a Norma Regulamentadora NR‑12, que trata da segurança no trabalho em máquinas e equipamentos, inclui a necessidade de manter o operador em plena capacidade de atenção. A não observância pode gerar sanções administrativas e comprometer a certificação de qualidade ISO 9001, impactando a capacidade de exportação de produtos metalomecânicos. Assim, empresas que adotam práticas de monitoramento de bem‑estar mental alinham-se não apenas à legislação, mas também a exigências de mercado global, onde a responsabilidade social corporativa é cada vez mais avaliada.

Perspectivas para os próximos anos indicam que a integração de tecnologias de monitoramento cognitivo – como sensores de frequência cardíaca e softwares de análise de atenção – deverá se expandir nas linhas de produção, permitindo intervenções em tempo real. Além disso, a cultura de “pausas ativas” e sessões curtas de mindfulness estão se consolidando como boas práticas recomendadas por associações setoriais. Para os profissionais da metalomecânica, a mensagem é clara: sonhar acordado pode ser fonte de criatividade, mas seu uso indiscriminado transforma-se em risco operacional e econômico, exigindo uma gestão equilibrada entre inovação e segurança.

Fonte original

EExame
'Mundo paralelo': quando sonhar acordado deixa de ser saudável | Portal Metalmecânica