O que aconteceria no Brasil se a guerra comercial entre EUA e China chegasse às nuvens?

Com a escalada iminente da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, especialistas alertam que o Brasil, como um dos principais parceiros comerciais de ambos os blocos, pode enfrentar impactos significativos em setores críticos como metalmecânica, siderurgia, automação, energia, mineração e petróleo. A dependência de componentes e matérias-primas chinesas, que representam cerca de 15% das importações de aço bruto e 22% das importações de peças automotivas de alta tecnologia, pode gerar um aumento de custos de produção que reverberará em toda a cadeia de valor.
Na siderurgia, por exemplo, a possibilidade de tarifas de até 25% sobre aço importado dos EUA e de 10% sobre aço chinês pode elevar o custo médio do aço brasileiro em 4,5% ao ano, segundo projeções da Associação Brasileira das Indústrias de Metal (ABIM). Esse aumento se traduz em pressões sobre a margem de lucro das usinas de aço, potencialmente reduzindo a produção em 3% no primeiro ano, o que afetaria diretamente os 18 mil empregos diretos no setor.
Para a indústria de automação, a interrupção no fornecimento de componentes eletrônicos de alta performance pode atrasar a entrega de linhas de montagem de veículos, especialmente nas montadoras que dependem de fornecedores chineses para sensores de condução autônoma. A previsão de atraso de 6 a 12 meses em projetos de automação pode gerar um custo adicional de R$ 2,3 bilhões em contratos de engenharia, afetando a competitividade das empresas brasileiras no mercado global.
No setor de energia, a guerra comercial pode restringir o acesso a equipamentos de geração de energia renovável, como turbinas eólicas e painéis solares, que atualmente importam 18% de seus componentes de países asiáticos. A perda de acesso a tecnologias de ponta pode atrasar a meta brasileira de 45% de energia renovável até 2030, aumentando a dependência de combustíveis fósseis e elevando a inflação de energia em até 2,8% nos próximos três anos.
A mineração e o petróleo, setores que já sofrem com volatilidade cambial, podem enfrentar custos adicionais de 5% a 7% em equipamentos de perfuração e processamento, devido a tarifas sobre componentes chineses. Esse cenário pode reduzir a margem de lucro das empresas mineradoras em 1,2% e atrasar projetos de exploração de gás natural, impactando a oferta de energia no país.
Para mitigar esses riscos, especialistas recomendam a diversificação das cadeias de suprimentos, o fortalecimento de acordos bilaterais com países como Alemanha e Japão, e o investimento em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia nacional. A criação de incentivos fiscais para a produção local de componentes críticos pode reduzir a dependência de importações e tornar o Brasil um polo de resiliência industrial na região. A expectativa é de que, mesmo diante de tensões globais, o país consolide sua posição como um importante player na cadeia de valor da indústria pesada e de energia.
Fonte original
EExame
