Onda de calor: climatização cresce 150% e energia fica até 40% mais cara, aponta FIEMG

Recentemente, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) divulgou dados que evidenciam uma forte correlação entre a onda de calor que assola o estado e o aumento significativo na demanda por climatização, que cresceu 150% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Este fenômeno, aliado à elevação de até 40% nos custos de energia elétrica, tem gerado pressões consideráveis em setores industriais que dependem intensamente de processos térmicos, como a siderurgia, a metalmecânica e a automação.
Para os operadores de siderúrgicas e refinarias, o aumento da temperatura ambiente implica em maiores cargas de ar-condicionado e sistemas de resfriamento de equipamentos, elevando a demanda de energia elétrica em ciclos de produção que já são intensivos. A FIEMG estima que o consumo adicional pode chegar a 15% a mais nas usinas de produção de aço, o que se traduz em um acréscimo de custos de operação que pode ultrapassar 10% do custo total de produção em cenários de pico.
No segmento de metalmecânica, a elevação dos preços da energia tem impactado diretamente a competitividade das empresas, especialmente as de menor porte, que não possuem contratos de fornecimento de energia a longo prazo. O aumento de 40% nos custos de energia elétrica pode reduzir as margens de lucro em até 5% se não houver compensação por melhorias na eficiência energética ou pela adoção de fontes renováveis, como energia solar, que tem se mostrado uma alternativa viável em regiões de alta incidência solar.
A logística industrial também não ficou imune ao efeito cascata da onda de calor. O aumento da demanda por transporte refrigerado, tanto de matérias-primas quanto de produtos acabados, exigiu ajustes nas rotas, na capacidade de carga e no consumo de combustível. Empresas de transporte de carga pesada têm relatado custos adicionais de até 12% nas operações que envolvem produtos sensíveis à temperatura, como componentes eletrônicos e peças de automação.
Para o setor de mineração, a necessidade de resfriamento de equipamentos de perfuração e processamento de minério tem impulsionado o consumo de energia em 20% nas últimas semanas. Isso, aliado ao aumento dos preços da energia, tem pressionado os custos de extração e beneficiamento, exigindo uma revisão nas projeções de rentabilidade e na avaliação de investimentos em tecnologias de recuperação de calor residual.
Em termos de perspectivas de mercado, especialistas apontam que a crescente volatilidade nos preços da energia elétrica pode acelerar a adoção de sistemas de geração distribuída e de armazenamento de energia em baterias. A FIEMG já observou um aumento de 25% nas solicitações de licenças para instalação de painéis solares em instalações industriais, indicando uma tendência de diversificação de fontes de energia que pode mitigar os impactos futuros das ondas de calor e estabilizar os custos operacionais.
Fonte original
FFIEMG
