Petrobras e Finep lançam edital de até R$ 150 milhões para eletrolisador industrial
A Petrobras e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciaram, nesta terça‑feira (16), a abertura de um edital que destina até R$ 150 milhões para o desenvolvimento de um eletrolisador de porte industrial no Brasil. O edital, que faz parte da estratégia de descarbonização da cadeia de energia e da aposta em hidrogênio verde, tem como objetivo estimular a criação de tecnologia nacional capaz de produzir hidrogênio a partir da eletrólise da água utilizando energia renovável. Para o setor metalmecânico, que fornece equipamentos de alta pressão, componentes de membranas e sistemas de controle, a iniciativa representa uma oportunidade de ampliar a base de fornecedores e de integrar a cadeia produtiva de energia limpa.
O investimento de R$ 150 milhões será dividido entre recursos diretos de financiamento e apoio à pesquisa e desenvolvimento (P&D), com linhas de crédito específicas para empresas de pequeno a grande porte que possuam know‑how em processos eletroquímicos, automação avançada e integração de sistemas de energia renovável. Segundo a Finep, o edital prevê até 30 projetos, com aporte médio de R$ 5 milhões por iniciativa, o que deve gerar um volume estimado de R$ 2 bilhões em investimentos indiretos ao longo dos próximos cinco anos, considerando a cadeia de suprimentos, a produção de componentes e a montagem de unidades industriais.
Para a indústria siderúrgica brasileira, que tem buscado reduzir a intensidade de carbono de seus processos, o desenvolvimento de um eletrolisador nacional pode significar a disponibilidade de hidrogênio de baixo custo e com menor pegada de carbono, viabilizando a transição para fornos de redução direta (DRI) alimentados por hidrogênio verde. A Associação Brasileira de Siderurgia (ABRAS) estima que a adoção de hidrogênio em 20% da produção de aço até 2035 pode gerar economias de até US$ 1,2 bilhão em custos de carbono, além de melhorar a competitividade internacional do setor.
Do ponto de vista econômico, o edital alinha-se ao Plano Nacional de Hidrogênio (PNH), que projeta um mercado interno de 30 GW de capacidade de produção de hidrogênio verde até 2030, movimentando cerca de R$ 300 bilhões em investimentos. A participação de grandes players como a Petrobras, que pretende integrar o hidrogênio em seus projetos de refino e petroquímica, reforça a confiança do mercado e pode atrair capital estrangeiro. Analistas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apontam que a cadeia de valor do hidrogênio verde tem potencial para criar até 200 mil empregos diretos e indiretos no Brasil, sobretudo em regiões industriais como São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Para as empresas de automação e controle, o edital abre espaço para desenvolvimento de sistemas de monitoramento em tempo real, algoritmos de otimização de consumo energético e integração de IoT nas plantas de eletrólise. A necessidade de operar eletrolisadores em regimes de carga variável, acompanhando a disponibilidade intermitente de fontes solares e eólicas, demanda soluções avançadas de controle preditivo, que podem ser desenvolvidas por startups e centros de pesquisa vinculados a universidades técnicas.
O prazo para submissão das propostas é de 60 dias, com avaliação técnica e financeira realizada por comitês conjuntos da Petrobras, Finep e do Ministério de Minas e Energia. As propostas selecionadas deverão apresentar cronogramas que garantam a comercialização de unidades piloto até 2028, alinhadas ao calendário de expansão de energia renovável do país. O sucesso do edital poderá posicionar o Brasil como um dos poucos produtores de eletrolisadores em escala industrial fora dos tradicionais polos da Europa e Ásia, reduzindo a dependência de importações e fortalecendo a cadeia de valor nacional.
Em síntese, o edital da Petrobras e Finep representa um marco para o setor industrial brasileiro, ao alavancar recursos financeiros e estimular a inovação tecnológica necessária para a produção de hidrogênio verde. Os impactos econômicos esperados – desde a geração de empregos até a redução de custos de carbono – e as oportunidades para metalmecânica, automação e energia renovável, sinalizam um horizonte promissor para a competitividade e sustentabilidade da indústria nacional nos próximos anos.
Fonte original
AAgência Brasil