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Petrobras investe R$150 milhões em tecnologia nacional para reduzir custos do hidrogênio

Petrobras investe R$150 milhões em tecnologia nacional para reduzir custos do hidrogênio

A Petrobras anunciou um investimento de R$ 150 milhões em um consórcio de empresas brasileiras que desenvolvem tecnologia para produção de hidrogênio a baixo custo, sinalizando um marco estratégico para a transição energética no país. O aporte, destinado à ampliação de plantas piloto de eletrólise de água alimentadas por energia renovável, pretende validar processos que reduzam o consumo de energia elétrica em até 30% em relação às tecnologias convencionais. Para o setor metalúrgico, siderúrgico e de automação, a disponibilidade de hidrogênio verde mais barato pode representar um divisor de águas, especialmente na descarbonização de fornos de arco elétrico e em processos de refino que ainda dependem fortemente de combustíveis fósseis.

O investimento está alinhado ao Plano Nacional de Hidrogênio (PNH), que projeta que o Brasil possa produzir até 30 milhões de toneladas de hidrogênio verde até 2030, atendendo a demanda interna e exportando para mercados como a União Europeia e a Ásia. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a produção de hidrogênio no país ainda representa menos de 0,5% da matriz energética, mas o custo atual – estimado entre US$ 6 e US$ 8 por quilograma – impede sua adoção em larga escala. A meta da Petrobras de baixar esse preço para cerca de US$ 4/kg, com a tecnologia financiada, poderia tornar o hidrogênio competitivo frente ao gás natural, impulsionando investimentos de capital de giro nas cadeias de produção de aço e alumínio.

Para a indústria metalúrgica, a principal aplicação do hidrogênio está na substituição do coque nos altos-fornos e na alimentação de fornos de arco elétrico, reduzindo emissões de CO₂ em até 90% por tonelada de aço produzida. A Associação Brasileira de Siderurgia (ABRAS) estima que a adoção de hidrogênio verde poderia gerar uma economia de R$ 12 bilhões anuais em custos de carbono para o setor, além de criar cerca de 45 mil empregos diretos nas cadeias de suprimentos. O investimento da Petrobras, ao apoiar a escala de produção, pode acelerar a entrada de novos players – como fabricantes de eletrolisadores e fornecedores de energia solar e eólica – no ecossistema industrial, fomentando parcerias de P&D que já somam R$ 80 milhões em projetos conjuntos.

Do ponto de vista econômico, o aporte de R$ 150 milhões representa cerca de 0,02% do orçamento anual da Petrobras, mas tem potencial de gerar retornos multiplicadores. Estudos do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) indicam que cada real investido em hidrogênio verde pode gerar até R$ 5 em receitas adicionais para a economia, principalmente por meio de exportações e de redução de multas por ultrapassar limites de emissões estabelecidos pela Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC). Além disso, a expectativa de redução de custos energéticos pode melhorar a competitividade das indústrias brasileiras no mercado global, particularmente frente a concorrentes chineses que já avançam em projetos de hidrogênio de baixo custo.

Entretanto, especialistas apontam desafios críticos para a concretização dos benefícios esperados. A necessidade de expansão da capacidade de geração renovável – estimada em mais 30 GW até 2035 – é um gargalo que pode limitar a disponibilidade de energia barata para a eletrólise. Além disso, a infraestrutura de transporte e armazenamento de hidrogênio ainda é incipiente, exigindo investimentos em gasodutos, tanques criogênicos e sistemas de compressão. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) alerta que a falta de normas técnicas uniformes pode retardar a certificação de qualidade do hidrogênio produzido, impactando a confiança dos usuários industriais.

Em perspectiva, a iniciativa da Petrobras pode ser vista como o primeiro passo de um ciclo de investimentos que deve envolver bancos de desenvolvimento, fundos de private equity e a própria iniciativa privada. Caso a tecnologia de eletrólise de alta eficiência seja validada nos próximos dois anos, o horizonte de viabilidade econômica do hidrogênio verde para a siderurgia e automação industrial deve se mover de 2035 para 2029, alinhando o Brasil às metas de descarbonização da Agenda 2030. Para os profissionais do setor, acompanhar de perto os resultados dos pilotos, bem como as políticas de incentivos fiscais e de crédito de carbono, será essencial para planejar investimentos estratégicos e garantir a liderança brasileira na nova economia do hidrogênio.

Fonte original

EExame