PIB de Minas recua 0,5% no 1º trimestre

O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais recuou 0,5% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, já ajustado pelos efeitos sazonais, conforme divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). O resultado contrasta com a expansão de 1,1% observada no PIB nacional no mesmo período, indicando que a maior economia do país está mantendo ritmo de crescimento enquanto o principal polo industrial do Sudeste apresenta perda de fôlego. Para os profissionais da cadeia metalúrgica, siderúrgica, de automação e energia, o dado sinaliza um cenário de demanda mais fraca e potencial retração de investimentos em projetos de expansão ou modernização.
O declínio de 0,5% reflete a combinação de fatores estruturais e conjunturais que pesam sobre os principais setores de Minas. A indústria metalúrgica, que responde por cerca de 12% do PIB estadual, registrou queda de 1,3% na produção de aço e ferro fundido, impulsionada por atrasos nas compras das siderúrgicas de Minas e Mato Grosso do Sul. No segmento de mineração, a extração de minério de ferro teve retração de 0,8%, em linha com a desaceleração dos preços internacionais, que caíram 4,5% no trimestre. Essa queda afeta diretamente fornecedores de equipamentos de automação e serviços de manutenção, que dependem da atividade de mineração para justificar novos contratos.
Do ponto de vista macroeconômico, o recuo de Minas representa a primeira contração trimestral desde o segundo trimestre de 2023 e reduz a participação do estado no crescimento nacional de 7,2% para 6,8% do PIB do país. O IBGE estima que a produção industrial do estado, que responde por 20% da produção total de bens manufaturados no Brasil, tenha diminuído 1,1% no período, puxando a queda do PIB. A queda de 0,5% equivale a aproximadamente R$ 7,9 bilhões, considerando o PIB estadual de R$ 1,58 trilhão no trimestre anterior.
Para as empresas de automação industrial, o cenário traz desafios imediatos. A demanda por sistemas de controle avançado, robótica colaborativa e soluções de IoT tem sido historicamente correlacionada ao volume de produção nas fábricas de siderurgia e mineração. Com a retração, os orçamentos de CAPEX de grandes usinas podem ser revisados, adiando projetos de digitalização que estavam previstos para 2026. Analistas do setor apontam que a tendência pode ser mitigada por incentivos fiscais estaduais, mas a incerteza sobre o preço do minério de ferro e a competitividade das exportações ainda pesa sobre as decisões de investimento.
O governo estadual já sinalizou medidas para conter a desaceleração, incluindo a prorrogação de linhas de crédito do BDMG para projetos de modernização e a revisão de alíquotas de ICMS para produtos de valor agregado. Contudo, especialistas em política econômica alertam que tais ações precisam ser acompanhadas por melhorias na infraestrutura logística, sobretudo nas rodovias que conectam o interior do estado aos portos de Santos e Rio de Janeiro, para reduzir custos de transporte e tornar a produção mineira mais competitiva no mercado externo.
Perspectivas para o segundo trimestre de 2026 permanecem cautelosas. O Banco Central projeta que a taxa Selic se mantenha em 13,75% ao ano, o que eleva o custo de financiamento para empresas que pretendem expandir ou substituir equipamentos obsoletos. Ao mesmo tempo, a expectativa de recuperação dos preços do minério de ferro, impulsionada por uma demanda chinesa ainda em recuperação, pode gerar um impulso positivo para a mineração e, consequentemente, para a cadeia de suprimentos metalúrgico. Ainda assim, a divergência entre o desempenho estadual e nacional sugere que Minas Gerais precisará de políticas coordenadas entre governo, indústria e instituições financeiras para restabelecer o ritmo de crescimento e evitar que a contração se prolongue nos próximos trimestres.
Fonte original
FFIEMG