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Portos capixabas movimentam 137,5 milhões de toneladas em 2023

Portos capixabas movimentam 137,5 milhões de toneladas em 2023

Os portos do Espírito Santo registraram, no exercício de 2023, a movimentação de 137,5 milhões de toneladas de carga, segundo levantamento da Atlas Portuário divulgado pela Findes. Esse volume representa um crescimento de 5,8% em relação ao ano anterior e consolida o Estado como o segundo maior hub logístico marítimo da região Sudeste, atrás apenas de São Paulo. Para engenheiros, gestores de cadeias de suprimentos e executivos da indústria metalúrgica, siderúrgica e de mineração, o resultado evidencia a robustez da infraestrutura portuária capixaba, que tem sido capaz de absorver aumentos de demanda provenientes de projetos de expansão de usinas de aço, unidades de beneficiamento de minério e plantas de energia renovável.

O impulso da atividade portuária está diretamente ligado ao desempenho dos setores que dependem do modal marítimo para a exportação de commodities e a importação de insumos. No último trimestre, o porto de Vitória movimentou 38,2 milhões de toneladas, com destaque para o embarque de minério de ferro, celulose e produtos siderúrgicos, enquanto o complexo de Tubarão recebeu 24,7 milhões de toneladas de carvão e fertilizantes. Esses números refletem a retomada da produção nas siderúrgicas da região, que aumentaram a produção de aço bruto em 7,3% em 2023, impulsionando a necessidade de escoamento de matéria‑prima e produtos semiacabados.

Do ponto de vista econômico, a movimentação de 137,5 milhões de toneladas gera, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), um impacto direto de aproximadamente R$ 42 bilhões na economia estadual, considerando receitas de serviços portuários, tributos e a cadeia de valor associada. Além disso, a atividade portuária sustenta cerca de 45 mil empregos diretos e indiretos, abrangendo desde operadores de guindastes até profissionais de logística, manutenção de equipamentos e tecnologia de automação. O aumento da demanda tem estimulado investimentos em projetos de expansão de berços, dragagem e modernização de sistemas de controle, com destaque para a implantação de soluções de automação avançada e digitalização de processos operacionais.

Para o segmento de automação industrial, a tendência de digitalização nos terminais portuários abre oportunidades para fornecedores de sistemas SCADA, IoT e robótica. Empresas brasileiras de tecnologia têm fechado contratos para a instalação de sensores de monitoramento em tempo real, visando otimizar o tempo de atracação e reduzir custos operacionais. A expectativa é que, nos próximos cinco anos, a automação contribua para um aumento de até 12% na eficiência dos portos capixabas, reduzindo o tempo médio de carga e descarga de 48 para 42 horas.

O panorama futuro indica que a capacidade de atrair investimentos estrangeiros será fundamental para manter o ritmo de crescimento. O governo federal já sinalizou a intenção de liberar linhas de crédito específicas para a modernização de terminais portuários, enquanto o Estado tem buscado parcerias público‑privadas para a ampliação do Terminal de Contêineres de Vila Velha, que deve adicionar 1,2 milhão de TEU à capacidade anual. Essa expansão será crucial para atender à demanda crescente de exportação de produtos de valor agregado, como peças automotivas e componentes de energia eólica, setores que têm registrado alta taxa de crescimento no Brasil.

Em síntese, a movimentação de 137,5 milhões de toneladas nos portos do Espírito Santo não apenas reforça o papel estratégico do Estado na cadeia logística nacional, mas também cria um ambiente propício para investimentos em infraestrutura, automação e energia. Para os profissionais do setor industrial, o cenário sinaliza a necessidade de alinhar estratégias de produção e logística com a capacidade portuária, garantindo competitividade nos mercados interno e externo. O acompanhamento das próximas licitações e dos indicadores de desempenho portuário será decisivo para planejar expansões de capacidade e otimizar custos operacionais nos próximos anos.

Fonte original

FFINDES