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Posicionamento | Fim da taxa das blusinhas causará prejuízo à economia, avaliam FINDES e CNI

Posicionamento | Fim da taxa das blusinhas causará prejuízo à economia, avaliam FINDES e CNI

A Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) emitiram recentemente um posicionamento crítico em relação à decisão do governo federal de extinguir a chamada “taxa das blusinhas”, ou seja, a isenção de imposto para importações de mercadorias com valor até US$ 50. Para o setor industrial capixaba, a medida vai além de um ajuste tributário pontual; trata‑se de uma mudança estruturante que favorece concorrentes estrangeiros em detrimento da produção local, gerando desequilíbrio na cadeia de suprimentos e pressionando margens de lucro nas fábricas e nas indústrias de base do estado.

O presidente da FINDES, Paulo Baraona, alertou que a eliminação da taxa provocará um desbalanceamento concorrencial, criando condições desiguais entre produtos nacionais e importados. “Quando importamos itens de baixo custo sem tributação, favorecemos o varejo estrangeiro e penalizamos os fabricantes capixabas, que já enfrentam altos custos operacionais, tributos complexos e carga salarial elevada”, afirmou. Para a indústria metalúrgica, de máquinas e equipamentos, que depende de insumos importados com tarifas diferenciadas, a medida pode significar aumento de custos indiretos, já que os fornecedores estrangeiros tendem a repassar preços mais agressivos, reduzindo a competitividade dos produtores locais.

Ricardo Alban, presidente da CNI, destacou que o impacto será mais agudo nas micro e pequenas empresas, que constituem a espinha dorsal do parque industrial do Espírito Santo. A isenção de US$ 50 pode estimular a entrada maciça de produtos prontos e de baixo valor, pressionando essas empresas a reduzir preços ou até fechar operações. Essa dinâmica, segundo Alban, equivale a “financiar a indústria estrangeira às custas do emprego brasileiro”, pois a perda de competitividade deve resultar na demissão de trabalhadores e no fechamento de unidades produtivas.

Além do efeito imediato sobre o emprego, os especialistas apontam que a medida pode comprometer investimentos estratégicos no estado. Indústrias que ainda avaliam projetos de expansão ou de automação podem adiar decisões diante da percepção de um ambiente regulatório desfavorável. O custo de capital, já elevado, pode ser ainda mais penalizado se a competitividade no mercado interno for corroída por importações tributariamente favorecidas.

Para mitigar os efeitos negativos, FINDES e CNI sugerem a adoção de políticas complementares, como a criação de incentivos fiscais específicos para a compra de insumos nacionais, linhas de crédito de baixo custo voltadas à modernização de fábricas capixabas e a implementação de programas de qualificação de mão‑de‑obra. O objetivo é fortalecer a cadeia produtiva regional, garantir que os custos de produção não sejam deslocados para o consumidor final e preservar os milhares de empregos vinculados ao setor industrial do Espírito Santo.

Em síntese, a extinção da “taxa das blusinhas” representa, para os dirigentes industriais do ES, mais do que uma simples alteração tributária: é uma potencial ameaça à estabilidade econômica do estado, que depende de um ambiente competitivo equilibrado. Enquanto o governo federal argumenta que a medida visa facilitar o acesso a bens de consumo de baixo valor, a indústria local alerta que o preço dessa liberalização pode ser pago com a perda de competitividade, empregos e, consequentemente, com o enfraquecimento do desenvolvimento econômico do Espírito Santo.

Fonte original

FFINDES