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EnergiaInternacional

Putin reconhece escassez de combustível e cria força-tarefa para manter abastecimento

Putin reconhece escassez de combustível e cria força-tarefa para manter abastecimento

Em entrevista coletiva nesta segunda‑feira, o presidente Vladimir Putin reconheceu oficialmente a escassez de combustível que vem afetando a produção industrial russa nas últimas semanas. O mandatário apontou como causa principal os recentes ataques de drones ucranianos contra refinarias estratégicas, sobretudo nas regiões de Tatarstão e da Sibéria Ocidental. A declaração foi acompanhada da criação de uma força‑tarefa interministerial, liderada pelo Ministério da Energia e pelo Ministério da Indústria, que terá a missão de coordenar o abastecimento de gasolina, diesel e combustível de aviação para setores críticos como siderurgia, metalmecânica, mineração e transporte de carga.

Para o segmento de metalmecânica, a interrupção no fornecimento de derivados de petróleo tem implicações diretas na operação de fornos a óleo, em processos de tratamento térmico e na geração de energia elétrica nas plantas industriais que ainda dependem de geradores a diesel. Segundo dados da Rosstat, a produção de aço bruto caiu 4,2 % no primeiro trimestre de 2024, reflexo da redução de energia e da elevação dos custos de combustível, que registraram alta de 18 % em relação ao mesmo período do ano passado. A força‑tarefa, portanto, visa garantir o fluxo de combustível para usinas de energia e unidades de cogeração que mantêm a produção de aço e de componentes automotivos em funcionamento.

O impacto econômico da escassez de combustível também se estende ao setor de energia, onde as usinas termelétricas a gás natural e óleo foram forçadas a operar abaixo da capacidade nominal. A Associação Russa de Energia (RAE) estima que a perda de geração devido à falta de combustível possa representar até 3,5 GW de potência não utilizada, o que equivale a cerca de 2 % da demanda nacional. Essa redução pressiona ainda mais o mercado de energia elétrica, elevando os preços de curto prazo no mercado de energia (OMEL) e encarecendo a produção de bens de capital que dependem de energia estável e de baixo custo.

Do ponto de vista do mercado internacional, a escassez de combustível na Rússia pode reverberar nas cadeias de suprimentos globais. O país ainda responde por aproximadamente 12 % das exportações mundiais de petróleo bruto e 7 % de produtos refinados. A interrupção na produção de diesel russo, por exemplo, pode gerar um aumento de 0,4 a 0,6 % nos preços do diesel europeu, afetando os custos logísticos de importação de minério de ferro, alumínio e produtos siderúrgicos para a Europa Ocidental. Analistas da Bloomberg apontam que, se os ataques continuarem, a Rússia pode recorrer a exportações de combustível de reserva, elevando ainda mais os preços globais e provocando ajustes nas margens de lucro das siderúrgicas brasileiras que dependem de insumos importados.

Em resposta à situação, a força‑tarefa já anunciou medidas emergenciais, como a priorização de abastecimento para unidades industriais críticas, a ampliação de estoques estratégicos de diesel em depósitos regionais e a mobilização de caminhões-tanque militares para garantir a entrega em áreas de difícil acesso. Além disso, o governo pretende acelerar a retomada da produção nas refinarias danificadas, com investimentos de emergência que podem chegar a 250 milhões de rublos, focados em reparos de infraestrutura e reforço da segurança contra ataques aéreos.

Para os executivos do setor de mineração e petróleo, o cenário exige revisão de planos de contingência e renegociação de contratos de fornecimento de combustível. A volatilidade dos preços e a possibilidade de novos cortes de produção podem levar a um aumento de até 12 % nos custos operacionais das minas de ferro na região de Kuzbass, onde o diesel é o principal insumo para transporte interno e geração de energia. Empresas que já adotam fontes alternativas, como gás natural liquefeito (GNL) ou energia solar, podem mitigar parte dos impactos, mas a transição demandará investimentos de capital significativo e prazos de implementação que ultrapassam o horizonte de 2025.

Observadores do mercado concluem que a criação da força‑tarefa é um passo necessário, porém insuficiente, para estabilizar o abastecimento de combustível no curto prazo. A eficácia das medidas dependerá da capacidade de proteger as refinarias contra novos ataques e da rapidez na reposição de estoques estratégicos. Enquanto isso, os setores industriais brasileiros que mantêm cadeias de suprimentos interligadas com a Rússia deverão monitorar de perto os indicadores de preço do petróleo e diesel, bem como avaliar alternativas logísticas para reduzir a exposição a choques de oferta provenientes do leste europeu.

Fonte original

IInfoMoney