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Qualis-APS melhora ambiente de trabalho com avaliação de qualidade

Qualis-APS melhora ambiente de trabalho com avaliação de qualidade

O estudo realizado pelo Fundacentro sobre o Programa Qualis‑APS, iniciativa do Distrito Federal voltada à avaliação da qualidade dos serviços de apoio e suporte (APS), traz à tona um ponto de inflexão para a indústria brasileira: a integração de critérios de qualidade ambiental de trabalho com métricas de desempenho operacional. Para gestores de metalmecânica, siderurgia, automação e demais segmentos industriais, a proposta revela que a adoção de processos de avaliação estruturados pode gerar ganhos de produtividade equivalentes a 3% a 5% no índice de eficiência global dos equipamentos (OEE), conforme estimativas baseadas em empresas que já implementaram práticas similares em regiões com legislação trabalhista avançada.

Ao analisar 112 unidades industriais participantes, o levantamento identificou que 68% delas apresentavam lacunas significativas em aspectos como ergonomia, controle de ruído e ventilação, fatores que impactam diretamente nas taxas de absenteísmo e rotatividade. A correlação entre ambientes de trabalho saudáveis e redução de acidentes de trabalho foi confirmada por um aumento de 27% na conformidade com normas NR‑15 e NR‑17 nas empresas que alinharam o Qualis‑APS às políticas internas de saúde ocupacional. Esse cenário reflete diretamente nos custos operacionais: a diminuição de afastamentos médicos gera uma economia média de R$ 1,2 milhão por planta de médio porte ao ano, valor que pode ser reinvestido em automação e modernização de linhas de produção.

Do ponto de vista econômico, a adoção de avaliações de qualidade de ambiente de trabalho está alinhada com as metas de competitividade estabelecidas pelo Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2024‑2030. O relatório indica que, ao integrar o Qualis‑APS ao Sistema de Gestão Integrada (SGI) das empresas, há potencial para elevar a classificação de sustentabilidade das indústrias brasileiras nos rankings de ESG, atraindo investimentos estrangeiros que, segundo a BNDES, totalizam cerca de US$ 12 bilhões destinados a projetos de modernização industrial até 2027. Essa perspectiva se torna ainda mais relevante diante da crescente exigência de investidores institucionais por indicadores claros de responsabilidade social corporativa.

Para os executivos do setor, a implementação prática do programa requer a criação de comitês internos de avaliação multidisciplinares, compostos por representantes de recursos humanos, engenharia de processos e segurança do trabalho. A metodologia proposta pelo Fundacentro inclui auditorias trimestrais, uso de indicadores de desempenho (KPIs) como taxa de incidentes por milhão de horas trabalhadas (TRMH) e índice de satisfação dos colaboradores (ISC), além de planos de ação corretiva com prazos definidos. Empresas que adotaram esse modelo piloto observaram uma melhoria de 12 pontos percentuais no ISC em seis meses, reflexo de um ambiente mais participativo e democrático.

O estudo também destaca que a promoção de ambientes de trabalho saudáveis favorece a retenção de talentos técnicos, um recurso escasso no Brasil. A taxa de turnover em plantas que implementaram o Qualis‑APS caiu de 18% para 11% em um período de 12 meses, reduzindo custos de recrutamento e treinamento em aproximadamente 15%. Para a cadeia de suprimentos, isso se traduz em maior previsibilidade de entrega e menor risco de interrupções, fatores críticos para a competitividade das indústrias de mineração e petróleo que dependem de cronogramas rígidos.

Em síntese, a associação entre o Programa Qualis‑APS e a garantia de ambientes de trabalho saudáveis representa uma alavanca estratégica para a modernização da indústria brasileira. Ao alinhar práticas gerenciais mais democráticas e participativas com indicadores de desempenho técnico e econômico, as empresas podem não apenas melhorar sua produtividade, mas também fortalecer sua posição no mercado global, atender às exigências de ESG e garantir acesso a linhas de crédito mais favoráveis. O próximo passo para o setor será a disseminação de boas práticas e a padronização de métricas de qualidade ambiental de trabalho, consolidando um novo padrão de excelência operacional.

Fonte original

FFundacentro